segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Obra redescoberta de Paulo do Valle Junior



A paisagem acima, de autoria do artista paulista Paulo do Valle Junior, falecido em 1958 , foi redescoberta recentemente, na coleção de uma tradicional família paulistana. Pintada em 1911 durante sua estada na França, quando era pensionista do governo do estado de São Paulo, mostra todas as qualidades do grande mestre, mesmo contando ele à época com apenas 22 anos. Com uma paleta já madura e um desenho preciso, o pintor conseguiu trazer para a pintura todo o clima da Paris do começo do sec.XX e suas famosas pontes. Segundo nos foi contado, a obra está fora da moldura há muito tempo e foi guardada em uma gaveta com outros papéis da família, o que explica o bom estado de conservação da pintura, mesmo estando ela perto de completar 100 anos. Um raro trabalho digno de ser contemplado. Espero que gostem!!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

30 Anos da mostra "15 Jovens Artistas do Brasil"




A fotografia acima, extraída do catálogo da mostra " 15 Jovens Artistas do Brasil ", que teve a curadoria de Carlos von Schmidt , mostra vários personagens cujos nomes se tornaram celebres no cenário artístico brasileiro. Alguns deles inclusive, serão olhados com saudades, pois já no deixaram com destino a eternidade, onde com certeza, continuam fazendo arte da melhor qualidade. Afinal, arte é vida e vida é arte.


Participaram da mostra Takashi Fukushima, Cláudio Tozzi, Aldir Mendes de Souza, Luiz Gregório Correa, Newton Mesquita, Marcelo Nitsche, Luiz Paulo Baravelli, Gilberto Salvador, Marcos Concílio, Juarez Magno, Dimitri Ribeiro, Ignácio Rodrigues, Rubens Gerchman, Antonio Sérgio Benevento e Ivald Granato.


A exposição que ocorreu em 1978 no MAB FAAP e no Museo de Arte Moderno de Buenos Aires, está fazendo 30 anos, e como é idade de número redondo, é sempre bom de se lembrar e comemorar.

Aldir e Gerchman faleceram recentemente e deixaram um legado de trabalhos artísticos marcantes executados em carreiras brilhantes, com reconhecimento de público e de crítica no cenário artístico nacional e internacional, com obras em vários museus e também disputadíssimas por inúmeros colecionadores. Marcos Concílio redirecionou as atividades e praticamente não expôs mais. Dimitri, Luiz Gregório, Ignácio, Benevento e Juarez Magno pouco se vê ( pelo menos eu por aqui). Em compensação, Fukushima, Newton Mesquita, Gilberto Salvador, Nitsche, Ivald Granato e principalmente Tozzi e Baravelli, levam adiante carreiras artísticas magníficas com reconhecimento no Brasil e no exterior.


Depois de trinta anos, os sinais do tempo em seus rostos, corpos e movimentos, são aparentes sem dúvida, mas suas obras continuam jovens e esbeltas, sinal da alta qualidade do trabalho que sempre fizeram com muito amor e dedicação, levando cada uma delas suas mensagens e visões particulares do mundo que nos cerca, renovando valores, desnudando as próprias almas e descobrindo novas formas de expressão em duas ou mais dimensões. Parabéns a todos e comemoremos esta brilhante safra de artistas!!




Aldir Mendes de Souza - Cinético Azul - TST
Acervo Escritória de Arte Rui Dell'Avanzi Jr.


Newton Mesquita - Tuba- TMSTCP

Acervo Escritório de Arte Rui Dell'Avanzi Jr.


Gilberto Salvador - Lagoa com Vitória Régia TMSTCP
Acervo - Ana Roso

domingo, 19 de outubro de 2008

Tadashi Kaminagai recuperado


A obra acima, de autoria de Tadashi Kaminagai, pintor japonês também pertencente à Escola de Paris, foi encontrada num antiquário no interior do estado de São Paulo, em estado de conservação extremamente precário, mas com a camada pictórica perfeita. O artista, que morou no Brasil durante anos, passou uma parte de sua vida na França( onde inclusive veio a falecer em 1982) , e influenciado por muitos dos artistas franceses com os quais convivia, como Matisse, Marquet entre outros, para os quais executava também molduras entalhadas primorosas( hoje disputadíssimas pelo mercado), pintou muitas paisagens francesas, principalmente do interior como da Bretanha e de La Frete sur Seinne. A obra em questão, depois de devidamente restaurada, foi mostrada a Yo Kaminagai, filho do artista que reside na França, e este em tom emocionado, disse que se recordava de que seu pai havia feito esta pintura quando ele, Yo, era bem pequeno, em Lehon na Bretanha. A obra é sem dúvida magnífica, com influência dos pós-impressionistas, e executada com "impasto" generoso, a um toque. Coisa de mestre. Espero que apreciem mais esta pintura redescoberta.




sexta-feira, 25 de julho de 2008

Quadro de Anita Malfatti redescoberto

A imagem acima é de um pequeno óleo de Anita Malfatti, recentemente redescoberto, que estava esquecido em uma coleção no interior do estado de São Paulo. Ela tem dimensões aproximadas de 15cm x 23cm e possui uma execução em estilo impressionista, com pinceladas rápidas e justapostas, feitas a um toque, com um "impasto" generoso, coisa de quem conhece muito a arte do cavalete. Levada a Elisabeth Cecília Malfatti, sobrinha e curadora da obra da artista, foi identificada como sendo a chacrinha de Diadema, onde Anita passou bons períodos durante os últimos anos de sua vida. Pessoalmente, a obra apesar de impressionista, é de um realismo fantástico, quase fotográfico. É mais uma prova inconteste da genialidade daquela que foi a precursora do modernismo brasileiro. Uma pequena jóia.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

2008 - Arthur Luiz Piza - 80 Anos





Na imagem acima, vemos Arthur Luiz Piza, um dos mais importantes artistas plásticos brasileiros da atualidade, que completa 80 anos em 2008. Nascido em São Paulo em 1928, estudou com Antonio Gomide, e após expor na I Bienal de São Paulo e de realizar algumas individuais na capital paulista, mudou-se para Paris, França, onde vive e trabalha até hoje. Na capital francesa, frequentou o atelier de Johnny Friedlaender, tendo aulas de gravura em metal, que veio a se tornar uma de suas especialidades. Em 1953 participa com suas esmeradas gravuras da II Bienal de São Paulo, quando recebe o Prêmio Aquisição. Seguindo, a partir de então, para a gravura em relevo, executa peças primorosas de excelente acabamento. O crescimento da qualidade de sua técnica e linguagem são patentes e culminam com o Prêmio de Melhor Gravura na Bienal de São Paulo de 1959. Como evolução natural, Piza começa a executar relevos em papel, com cortes, ranhuras e elementos aquarelados. Executa também relevos com elementos colados ao suporte, obtendo obras de uma plasticidade e linguagem únicas, que fizeram com que as mesmas corressem o mundo em exposições individuais e coletivas. Entre as muitas exposições, participou da Documenta de Kassel e das Bienais de Paris, Veneza e Cracóvia. Possui gravuras, relevos e elementos escultóricos em diversas coleções particulares e museus ao redor do mundo. Sem sombra de dúvida, a arte brasileira internacional tem em Arthur Luiz Piza uma de suas maiores expressões. Parabéns Piza!!
Veja abaixo algumas obras de Arthur Luiz Piza:



La Lune au Carré - Gravura em metal/goiva




Marola La Coruña - Gravura em metal/goiva

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Uma obra de Camille Pissarro Redescoberta



A obra de arte cuja imagem está acima, é um desenho a pastel de autoria de Camille Pissarro, um dos principais pintores impressionistas franceses, que junto com Monet, Sisley, Renoir, Cézanne e mais alguns, foi um dos responsáveis pelo movimento Impressionista, que revolucionou a arte mundial no século XIX.

Há uns meses, um conhecido meu de Israel, me enviou a imagem, já meio a título de desabafo, pois não conseguia dos certificadores na França, mais especificamente o Wildenstein Institute, o reconhecimento da autenticidade e a certificação da mesma.

Ao receber a imagem, uma espécie de " sininho" soou na minha mente, pois algo me dizia que eu já havia visto aquela imagem antes. Como pesquiso impressionismo há muitos e muitos anos, não seria difícil que talvez algo parecido tivesse passado diante dos meus olhos em algum dos milhares de livros e catálogos que consultei. O problema seria saber onde. Comecei uma pesquisa obviamente em minha pequena biblioteca pessoal, em todos os livros e catálogos antigos que possuissem o verbete Pissarro. Para minha surpresa, em algumas horas, encontrei um livro editado no Brasil há mais de trinta anos pela Editora Três, da série Biblioteca de Arte - Os Impressionistas, escrito por Charles Kunstler, membro do Institut de France, que possuia na página 34 a imagem abaixo:



Incrível e emocionante!! Era realmente a obra em questão. O que mais surpreende é que este livro possui uma edição francesa e que pasmem-se, foi patrocinada pela Fundação Wildenstein, os mesmos que têm o catálogo raisonné sob sua responsabilidade. Enviei a imagem para o meu conhecido em Israel e obviamente o "queixo caiu". Eu acabara de transformar o pastel dele em algumas dezenas de milhares de dólares. Mas o mais importante, é que uma obra autêntica de um dos maiores pintores da humanidade foi resgatada, redescoberta. Se trata de um patrimônio da humanidade e por mais que esteja em uma coleção particular, tem que ser reconhecida e preservada. A essa altura já deve ter sido vendida e com certeza está pendurada em uma parede de colecionador de porte em algum lugar do mundo onde haja dinheiro e bom gosto. Hoje em dia, poder ter uma obra dessas em casa é para poucos.

Roubo no MASP

Agora, que a poeira já abaixou, e as obras foram recuperadas, pensei que caberia fazer algumas considerações sobre o episódio. A facilidade do roubo realmente salta aos olhos de qualquer um, mais do que o " profissionalismo" de quem executou. Realmente, quem roubou os quadros do MASP, roubou obras de arte pela primeira vez, apesar de que pelo tempo em que fizeram a operação, parecia até que tinha sido ensaiado. O que mais estranho é que, em qualquer lugar do mundo onde casos semelhantes acontecem, dificilmente a obra fica na mesma cidade por tanto tempo. Geralmente, esse tipo de serviço é feito por encomenda, afinal, colecionador sem escrúpulos é o que não falta, ou então a título de sequestro, onde posteriormente se pede um resgate. Vingança ou mesmo tentativa de molestar o museu ou alguém que a ele pertença é uma alternativa que prefiro nem pensar pois seria tão baixo que , se fosse verdade, seu mentor deveria ser localizado e preso, mesmo que fosse um " figurão". Em nenhum dos dois primeiros casos entretanto, para um profissional, se correria o risco de ficar tão próximo às tentativas de busca e recuperação. Já na última hipótese aventada, tudo seria possível...........
Por mais que algumas pessoas não concordem com o modelo da atual administração do museu, achei de muito mau gosto o "apedrejamento" executado, pois atingiu de certa forma outras pessoas, que participam há anos da administração do MASP, com dedicação, carinho e competência. Pessoas como Luis Hossaka, Eugênia, Ivani e muitos outros, não podem ser esquecidos ou transformados em vilões ou mesmo profissionais incompetentes em função de um fato isolado, provocado sabe-se lá por que reais motivos.
Ouvi gente inclusive me questionando se as obras que retornaram são realmente as autênticas ( fato que me estimulou a escrever este texto), pondo em dúvida a competência e a qualidade profissional dos funcionários do quadro técnico do museu. Depois que se explica para os interessados a qualidade de quem está lá e os procedimentos que se levam a cabo nessas situações, as pessoas entendem que seria impossível, ou no mínimo uma possibilidade remotíssima.
Crucificaram a atual presidência do MASP, e aqui não vou entrar no mérito da agressão, mas não me lembro de ter lido nenhuma matéria nos jornais ou na Internet falando das qualidades da equipe técnica do museu. É uma pena que nessas horas, a mídia só vê a parte vazia do copo, e esquece, ou propositalmente não quer ver, a boa quantidade de vinho de primeira qualidade que ainda está lá. Temos que rezar e torcer para não transformarem o MASP em mais um trampolim político ou um buraco negro de nepotismo e clientelismo político. Toda essa estória só transpira vaidade, de um lado e do outro. Que as reais boas intenções para se manter ou melhorar este que é o melhor museu da América Latina apareçam. Mas as reais boas intenções. As outras que sumam. Visitem o MASP, ele merece.