domingo, 19 de julho de 2009

Leilão Renot de Agosto 2009

Quero pedir desculpas aos meus leitores habituais pela ausência de novas postagens nos últimos dias. Tivemos problemas técnicos de conexão em função de um temporal há quase um mês, que só foram possíveis de se solucionar esta semana. Felizmente estamos de volta com informações na área das artes plásticas em geral.

Recomeçamos com alguns detalhes sobre o próximo leilão do Renot, que ocorrerá no próximo dia 3 de Agosto em São Paulo. Destaque para o Aldemir Martins reproduzido abaixo, "Vaso de Flores", um óleo de 1949, que participou da exposição no Masp, está reproduzido no livro "Aldemir Martins por Aldemir Martins" e tem estimativa entre R$ 80 e R$ 90 mil.



Outro destaque é o enorme óleo(1,87x2,10m) de Mario Gruber reproduzido abaixo, "Três músicos", de 1972, cuja estimativa é de R$ 60 a R$ 80mil, e que fala por si.


O leilão está ainda rechedo de boas peças de artistas como Cícero Dias, Arcângelo Ianelli, Ismael Nery e Manabu Mabe entre muitos outros. Vale a pena conferir. O leilão será nas dependências da galeria, que fica na Alameda Ministro Rocha Azevedo, 1327, nos Jardins em São Paulo. Mais informações no site www.renot.com.br e boas compras.

domingo, 28 de junho de 2009

Sotheby's London - Resultado do leilão

No último dia 24 de junho, foi realizado em Londres pela tradicional casa de leilões Sotheby's, o leilão de arte impressionista e moderna, com um total de vendas de 33,531 milhões de libras esterlinas, quando 23 dos 27 lotes oferecidos foram vendidos. A tendência continua sendo menor quantidade e maior qualidade. Uma das sensações da noite, o Picasso "Homme à l'Epée", foi arrematado por nada menos que 6.985 milhões de libras esterlinas, algo em torno de 13,8 milhões de dólares americanos.

Os impressionistas, para não fugir à regra observada nos últimos leilões, tem sido muito procurados, principalmente por estarem com estimativas relativamente mais baixas às encontradas no período pré-crise financeira internacional. Em minha opinião, o resultado deste leilão mostra isso. O Monet reproduzido abaixo "Route de Giverny en Hiver", uma belíssima execução de 1885 é um bom exemplo. Ele foi arrematado por 3,849 milhões de libras esterlinas, dentro de uma estimativa inicial que situava o valor da obra entre 3 e 4 milhões de libras.
Outro quadro impressionista que na mesma noite superou as expectativas foi o Renoir "Nature Morte - Fleurs et Fruits"(ver abaixo), que de una estimativa inicial entre 1,5 - 2,5 milhões de libras, saltou no arremate para 2,841 milhões de libras esterlinas.

O resultado geral do leilão foi razoável para o momento que atravessamos. Obras de Giacometti, Paul Signac, Magritte, Leger e outros, trocaram de mãos por cifras razoavelmente altas, dentro ou acima das estimativas, o que continua mostrando a seletividade praticada pelos colecionadores com a atual conjuntura. Acredito que com a diluição da crise ao longo dos próximos meses, não só a liquidez será melhor como também os preço devem voltar a subir. Com os grandes magnatas da Rússia e do oriente em aparente "hibernação", o mercado tem tudo para uma nova reação quando eles "acordarem" em futuro breve. É esperar para ver.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Sergio Telles - O diplomata da cor

Sempre tive uma admiração muito grande pelo trabalho de Sergio Telles, que além de artista foi diplomata de carreira, o que lhe permitiu viajar pelo mundo, acompanhado do cavalete, e registrar cenas maravilhosas, de um colorido quase sempre vibrante, que nos faz remontar aos "Fauves" franceses, até mesmo a Pissarro quando o assunto é Paris. Algumas obras passam por Kokoshka segundo alguns, e eu também vejo Valtat, Marquet, Matisse, Bonnard e Vuillard em muitas delas. Tudo isso só contribui para afirmar que Sergio Telles é um digníssimo membro da Escola de Paris, e o mais importante, reconhecido pelos prórpios franceses. Da minha parte, sou verdadeiramente "apaixonado" por algumas obras deste grande pintor. Uma delas, que está no livro/catálogo da exposição que Sergio Telles fez na Galeria Wildenstein, uma vista de Lisboa pintada em 1968, sempre me tira o fôlego e me faz sentir o calor do sol poente da capital portuguesa, através das pinceladas rápidas, nervosas e precisas, de "impasto" generoso, coisa de quem conhece o ofício de pintor, numa execução de raro talento. Pena a reprodução do livro abaixo não ser das melhores, mas permite ao leitor captar muito do clima transmitido pelo artista nesta obra magnífica.

Sergio Telles é também desenhista e gravador de primeira. Editou pela Wildenstein álbuns de águas-fortes, serigrafias e litografias, como "Portugal", "Póvoa do Varzim" e " A festa do Mangue". Nas pinturas, retratou, entre outros lugares, Paris, cidade onde viveu por muitos anos, Portugal, Itália, Bélgica, Holanda, Espanha, Uruguai, Argentina e o Brasil quase que de "cabo a rabo". Pintou em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Pará e Amazonas. A série de pinturas realizadas em Porto Seguro mereceram inclusive um livro com textos de Jorge Amado. Quanto aos motivos, paisagens, naturezas mortas e cenas de interior foram tratados com maestria pelas impacientes e hábeis mãos do pintor.

O artista completou em Abril de 2009, 73 anos de uma existência rica e extremamente produtiva. Sergio Telles trabalhou em quase tudo, pintou de tudo, viajou o mundo e deu às nossas vidas um novo colorido. Sua obra cheia de vigor e cor, nos faz sentir frio ou calor, ou ouvir os sons e burburinhos do Sena e seus transeuntes, ou do mar e seus banhistas inundados pela luz, de um sol para sempre a brilhar, agradecido aos pincéis de um artista que pinta o que gosta e gosta de pintar.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Obras de arte roubadas, recuperadas

Neste mês de junho, já tivemos algumas notícias de obras roubadas há vários anos e que foram recuperadas. Uma delas foi o Renoir reproduzido abaixo, entitulado "Oedipus Rex", uma pequena tela aparentemente datada de 1895 e com dimensões de 30cm x 29cm, que havia sido roubada em Roma, de um colecionador particular em 1984. A tela foi encontrada na casa de um outro colecionador na região de Treviso na Itália.



Fonte: O Estado de São Paulo - Ag. Estado.

Outra pintura roubada desde 2002 que reapareceu em um leilão na região dos Jardins em São Paulo esta semana, foi o Volpi reproduzido abaixo, Vaso de Flores, que foi levada à época por assaltantes, da coleção Mastrobuono de São Paulo. A trilha percorrida pela obra será agora refeita, como tentativa de se chegar aos criminosos. Estes dois casos, principalmente o ocorrido no Brasil, demonstram a necessidade de talvez se tornarem públicas as informações sobre obras roubadas, para evitar que comerciantes sérios sejam iludidos por pessoas que forjam informações sobre procedência de obras de arte. Com a Internet à disposição de todos, talvez não fosse difícil. Existem alguns sites que já tentam fazer uma compilação, pricipalmente no exterior, onde a Interpol mantém, de forma atualizada, um banco de dados com obras roubadas.

Fonte da imagem: site ACLO


Fica aqui a sugestão para a realização de um banco de dados de obras roubadas no Brasil. Claro, que deverá haver a boa vontade dos agentes do mercado, caso contrário, continuaremos sujeitos a surpresas como as descritas acima, nem sempre agradáveis. Acredito que ajudaria a todos.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Picasso na Sotheby's London


No próximo dia 24 de Junho, ocorrerá na Sotheby's Londres mais um leilão de arte impressionista e moderna. Uma das estrelas da noite será o Picasso reproduzido acima"HOMME À L'ÉPÉE" ( Homem com espada), um óleo sobre cartão de grandes dimensões( 1,46m x 1,14m) executado em 1969, que irá a leilão com estimativa entre US$ 9,8 - 13,0 milhões.
O evento contará ainda com obras de nomes de peso da pintura mundial como René Magritte, Paul Signac, Alberto Giacometti, Henri Matisse e Wassily Kandinsky entre muitos outros. Entre os impressionistas fundadores do movimento, salientamos as obras de Claude Monet "Route de Giverny en hiver", com estimativa de US$ 4,5 - 6,0 milhões, e Pierre-Auguste Renoir, onde a obra "Nature Morte Fleurs et Fruits", executada em 1889 e de um colorido espetacular, tem estimativa de US$ 2,5 - 4,0 milhões.

É difícil fazer um prognóstico dos resultados, mas se depender das últimas vendas realizadas em Nova York, podemos dizer que os impressionistas serão vendidos, pois suas estimativas estão relativamente baixas se comparadas com o início de 2008, antes da eclosão da crise financeira mundial. Quanto às obras de Picasso, lembramos que algumas "encalharam" recentemente nas vendas novaiorquinas, com isso, se a flexibilidade de valor for menor, é provável que os possíveis interessados migrem para outros artistas. Vamos aguardar os resultados, esperando que o pessimismo não ronde a sala de leilões londrina.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Arte Latinoamericana na Sotheby's New York

Acabou de ocorrer o leilão de arte Latinoamericana da Sotheby's de Nova York. Não dá para dizer que foi um sucesso, infelizmente. Algumas das obras mais importantes do evento não foram arrematadas, como a obra que foi capa do catálogo "Chiki, Ton Pays" de Leonora Carrington, cuja estimativa entre US$ 1,2 e 1,6 milhão deve ter assustado os possíveis interessados. Nota favorável a alguns dos artistas brasileiros presentes no acervo ofertado, como por exemplo Cândido Portinari, cuja obra "Cangaceiro", já apresentada em postagem anterior e que possuia estimativa entre US$ 80 e 100 mil, que foi arrematada por US$ 314.500, aliás, resultado já esperado por este blog. O desempenho das obras de Portinari em termos de preços em leilões internacionais, em nossa opinião, ainda está longe do patamar de estabilidade e , salvo tempestades imprevistas, deve aumentar muito em futuro breve. Tudo fruto do sério trabalho de catalogação realizado pelo Projeto Portinari, que permitiu ao mundo da arte uma melhor visualização e compreensão da obra do artista.

Outro artista brasileiro cuja obra não refugou diante das dificuldades e incertezas do mercado de arte internacional foi Cildo Meireles, que teve a técnica mista "Jogo da Velha Série C3B", reproduzida abaixo, vendida por US$ 98.500, diante de uma estimativa inicial de US$ 60 a 80 mil.



De maneira geral, o resultado do leilão, que faturou um total de US$ 9.442.625, com aproximadamente 60% dos lotes vendidos, deixou a desejar. Obras de artistas de peso como Wifredo Lam, Siqueiros entre outros notáveis, não encontraram comprador. O fato provoca ao menos a reflexão: consequência da crise ou baixa qualidade das obras oferecidas?

Quanto a nós brasileiros, continuamos esperando um trabalho de divulgação sério de nossa arte, que com certeza tem muito a oferecer ao mundo. Até a próxima.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Arcângelo Ianelli - O adeus ao mestre

Morreu ontem em São Paulo aos 86 anos, Arcângelo Ianelli, um dos maiores nomes história da arte brasileira recente. Nascido em São Paulo em 1922, ano da Semana de Arte Moderna que de alguma forma revolucionou as artes no Brasil, Ianelli começou a pintar na dec. de 40, quando recebeu os primeiros ensinamentos de Colette Pujol. Participou do Grupo Guanabara, do qual foi um dos fundadores, e juntamente com artistas como Sophia Tassinari e Fukushima, pintou as várzeas e arredores de São Paulo, iniciando-se num figurativismo de desenho preciso e colorido equilibrado, que ao longo de sua carreira foi se transformando numa abstração geométrica, a qual na sua última fase se reduziu a estudos cromáticos de valor das cores, onde as obras mostravam "vibrações", aliás, palavra título de algumas delas. Ao longo de sua extensa carreira, chegou a pintar com Pancetti na Bahia e com Mario Zanini em Itanhaém, mas o que mais importava era a amizade que os ligava. Ianelli era amigo de todos.


Arcângelo Ianelli em seu ateliê. Fonte: Folha de São Paulo - Cristina C. Branco

Já há muito tempo que Ianelli vinha sendo homenageado pela sua magnífica obra. Inúmeras foram as exposições retrospectivas, com destaque para as que se deram na Pinacoteca do Estado de São Paulo em 2002 e do MAB FAAP em 2004. Nesta última, com o nome "Os Caminhos da Figuração", com curadoria dos filhos do artista Kátia e Rubens, foi mostrada de forma consistente, parte da transição que a obra do artista sofreu ao longo dos anos, caminhando para a abstração. O belíssimo catálogo editado à época é, inclusive, peça indispensável na biblioteca de quem admira o artista.


Arcângelo Ianelli foi além de pintor um desenhista e gravador de primeira. Sua obra contém além de telas e obras em papel algumas colagens e técnicas mistas como a reproduzida acima da dec. de 70, que apresentam resultados surpreendentes apesar da simplicidade de execução. Foi um mestre e seu reconhecimento só tende a aumentar, pois como homem discreto e humilde, nunca fez muita questão de publicidade. A fama veio pela qualidade do trabalho realizado. Um trabalho de artesão, executado com cuidado e amor nos mínimos detalhes.
A curadoria da obra do artista está hoje a cargo de Kátia Ianelli, filha do artista, a quem também nos unimos, e aos demais familiares, neste momento de tristeza pelo passamento deste grande homem e artista que foi Arcângelo Ianelli mas, com a certeza de que lá no céu sua obra continua, pois, como ele mesmo disse: "Não há morte para os que delegam ao objeto da criação o poder da vida". Saudades de Ianelli.