Mostrando postagens com marcador Pintura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pintura. Mostrar todas as postagens

domingo, 22 de junho de 2025

Anita Malfatti - O Varal ou Roupas no varal

                          Anita Malfatti - O Varal ou Roupas no Varal

 A obra acima de Anita Malfatti, que podemos chamar de O Varal ou Roupas no varal, é um óleo sobre madeira de execução mesclada impressionista com um toque de expressão nos troncos das árvores à direita, o que talvez nos permita situar a mesma no período entre 1918 e 1922, após a fatídica exposição de suas obras expressionistas, "detonada" por assim dizer, pelo artigo de Monteiro Lobato, intitulado "Paranóia ou Mistificação". A pintura está delicadamente assinada em vermelho no canto inferior esquerdo com uma dedicatória " Ao Mario (Mario de Andrade?) Off. Anita C. Malfatti". 

Interessante perceber que a execução em grande parte impressionista, com impasto generoso, é extremamente precisa, com toques únicos, com nítida preocupação do realce da luz. A foto não consegue nem de longe, mostrar toda a beleza e qualidade da obra. É sabido que após o baque da crítica de Lobato e o encerramento da exposição, Anita se recolheu e sua pintura sofreu enormes modificações, deixando para trás a força do expressionismo de "O Homem Amarelo" , " O Japonês" , " A Boba" ou a "Estudante Russa". Esse dito retrocesso, teria deixado Mario de Andrade de certa forma desgostoso pois ele gostaria que Anita continuasse na sua ação de vanguarda. Em uma crônica de 1924, podemos destacar o seguinte trecho: "...Depois da exposição, Anita se retirou. Foi para casa e desapareceu, ferida. Mulher que sofre. Todo aquele másculo poder de deformação, que dirigira as pinceladas do Homem Amarelo, da Estudante Russa, desaparecera. Mulher que sofre. Quis voltar para trás e quase se perdeu. Começou, para contentar os silvícolas, a fazer impressionismo colorido". Estaria Mario de Andrade olhando para esse quadro, eventualmente a ele presenteado por Anita, quando escreveu estas palavras? Creio que a propabilidade seja enorme. O verso da obra contém uma pintura também com traços algo impressionistas de uma cena rural, possivelmente da Fazenda Santa Cruz das Palmeiras, local onde Anita passou uns tempos, experimentando novos rumos para sua pintura após a exposição de 1917/18. De qualquer forma, é perceptível os resquícios expressionitas na gestualidade das árvores e no contraste entre o verde e o amarelo para representar a luz do ambiente. Considero esta obra uma espécie de elo perdido entre o período expressionista  e a produção "amenizada" de Anita Malfatti pós artigo de Monteiro Lobato, que culminou com as paisagens e cenas da vida rural, repletas de poesia. Não poderia deixar de compartilhar esta magnífica pintura.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Francisco Aurélio de Figueiredo - Importante pintor brasileiro

Possuímos em nosso acervo duas pinturas de autoria de Francisco Aurélio de Figueiredo e Mello, cujas reproduções seguem abaixo, irmão do pintor Pedro Américo, que nasceu na Paraíba em 1854 (algumas fontes citam 1856) e faleceu no Rio de Janeiro em 1916. Foi desenhista e pintor de história, paisagens, retratos e de gênero, tendo deixado uma vasta e importante obra. Estudou na Academia Imperial de Belas Artes, tendo como professores o próprio irmão e Jules Le Chevrel.


 No contexto de pintura de história, deixou uma das obras mais importantes referente ao império, que se trata do Último Baile da Ilha Fiscal, de 1905, retratando evento das últimas horas do período Imperial do Brasil. Começou a expor em 1884 na própria Academia Imperial, tendo participado de inúmeras exposições. Após sua morte, sua arte tem sido lembrada em várias exposições, incluindo mostras no Museu Nacional de Belas Artes e uma paisagem exposta da 2a. Bienal de São Paulo em 1953.


Possui obras em vários museus brasileiros e em importantes coleções particulares, sendo um dos artistas de característica acadêmica dos mais procurados e valorizados.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Carlos Scliar - Artista gaúcho excepcional - Um breve comentário



A pintura reproduzida acima, "Vidro de Farmácia" é de autoria de Carlos Scliar, artista nascido no Rio Grande do Sul de grande talento e que faleceu em 2001 no Rio de Janeiro deixando uma obra maravilhosa e de conteúdo e características excepcionais.

Pintor, desenhista, gravador, ilustrador e cenógrafo, Scliar, como é comumente chamado no meio artístico, começou na vida artístiva em 1934, quando ainda tinha 14 anos. Cinco anos mais tarde, em 1939, vem para São Paulo e Rio de Janeiro quando trava conhecimento com Cândido Portinari. Já em 1940, com vinte anos, realiza em São Paulo, onde se estabeleceu, sua primeira exposição individual. Em 1943 foi convocado pela FEB e foi para a Europa lutar na 2a. Guerra Mundial, período que inspirou algumas obras posteriores como Guerra I e Campo de Concentração. Na sua volta executa pinturas e gravuras onde é nítida a influência de Lasar Segall e Cândido Portinari.

Na década de 50, executa uma série de trabalhos gráficos e de cenografia, entre eles os trabalhos para o filme "Rio Zona Norte" cujo diretor foi Nelson Pereira dos Santos, tendo inclusive assumido a diretoria de Artes da revista Senhor até o início de 1960.

Scliar - Jarituba I - Lito da década de 80

Nas décadas de 70 e 80 executa uma série de trabalhos utilizando também as técnicas da colagem e do do vinil encerado, com soluções plásticas de características peculiares, onde elementos de natureza morta e paisagens convivem com trechos de escrita ou simplesmente letras, cujo sentido exigem do observador uma leitura atenta do trabalho como um todo, para que se possa compreender e adentrar o universo criativo de Scliar, no qual flui sua sensibilidade, crítica e questionamento de paradigmas. Dentro da linha de questionamentos, foi militante do partido comunista, possivelmente influenciado por amigos como Portinari, tendo inclusive participado de exposição específica de artistas pertencente aos seus quadros. Já que falamos de exposição, Scliar participou de centenas de mostras individuais e coletivas, no Brasil e no exterior, onde se destacam os Salões Nacionais de Belas Artes, A Bienal do Sec. XX e muitas outras. Sem dúvida Carlos Scliar receberá o reconhecimento devido do mundo das artes.


terça-feira, 31 de julho de 2018

Marina Caram - de Sorocaba para o mundo


Há tempos que pretendo escrever alguma coisa sobre Marina Caram, artista que participa de nosso acervo com duas obras que estão reproduzidas abaixo e das quais emanam toda a força do  expressionismo da artista. Homens, mulheres, crianças e animais possuem e transmitem um misto de espanto e dor, tristeza e solidão, traduzidos por traços vigorosos transformados em figuras desformes, que nos levam a sentir na pele e no coração as mesmas sensações.


Nascida em Sorocaba em 1925, cidade na qual iniciou seu aprendizado artístico , mudou-se para São Paulo em 1945 onde conheceu Oswald de Andrade, que entusiasmado com sua obra a apresenta a Pietro Maria Bardi, diretor do MASP. Alguns anos mais tarde, em meados da década de 50, conhece Di Cavalcanti que não menos sensibilizado, lhe empresta o atelier. Expõe pela primeira vez em 1951 numa individual no MASP e em seguida segue para Paris como bolsista do governo francês e estuda até 1953 na Escola Nacional de Belas Artes daquela cidade. Trabalhou como desenhista, pintora, gravadora, escultora e ilustradora, participando de inúmeras exposições individuais e coletivas das quais se destacam a Bienal Internacional de São Paulo em várias edições desde 1953, Salão Paulista de Arte Moderna de 1956 a 1961, indivuais no MASP em 1951 e 1953, no Musée Saint-Vic na França e no Museu Lasar Segall em 2005 com o título "Alma pelo Avesso".




Marina Caram faleceu em 2008 em São Paulo, deixando uma obra marcante, característica em extremo e principalmente de grande qualidade, podendo ser considerada sem sombra de dúvida como uma das grandes senão a maior representante do expressionismo brasileiro. Suas obras estão presentes em alguns dos principais museus do Brasil e do exterior além de numerosas coleções particulares. O mercado recentemente vem voltando os olhos para a monumental obra desta excelente artista e seu reconhecimento é uma mera questão de tempo.

terça-feira, 18 de julho de 2017

João Del Nero - Que pintura bonita! Redescoberta da obra e do artista.


Há umas semanas encontrei em um leilão de internet a natureza morta acima, descrita como autor não identificado. Mesmo sem ter visto a obra pessoalmente, fiquei impressionado com a aparente qualidade da mesma: um desenho muito bom, paleta de extremo bom gosto e equilíbrio e um conjunto harmônico da composição. A assinatura era impossível de ler. De qualquer forma havia sido cativado pelo quadro. Mesmo consciente de que atravessamos um crise econômica e financeira sem precedentes, raspei o cofrinho e arrisquei o lance mínimo, que já não era tão baixo assim. Por sorte, arrematei sem disputa.

Assim que chegou em casa, como criança que recebe um bom doce ou brinquedo, desfiz o pacote com cuidado mas certa pressa e ao ter acesso ao quadro o queixo caiu: era melhor do que eu imaginava. Ao analisar a obra com o ultra-violeta descobri que a assinatura era de Del Nero, mais especificamente de João Del Nero, pintor nascido em São Paulo em 1910 e que participou de várias edições do Salão Paulista de Belas Artes entre 1934 e 1959, tendo sido membro inclusive da comissão organizadora do mesmo salão em alguns dos eventos. Consta do Dicionário de Artistas Plásticos do Pontual, do Dicionário do MEC, do Itaú Cultural, todos citando que Teodoro Braga reuniu dados biográficos sobre o pintor em sua obra de referência Artistas Pintores no Brasil. Ruth Sprung Tarasantchi o cita também como pintor paisagista paulista em sua obra Pintores Paisagistas: 1890 - 1920. É sabido de obra do artista pertencente ao Museu Nacional de Belas Artes e que está presente em inúmeras coleções particulares, agora inclusive na minha. Espero que apreciem.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Virgílio Lopes Rodrigues- Pintor de marinhas

Virgílio Lopes Rodrigues - Canoa em Copacabana osm  27x41cm

Virgílio Lopes Rodrigues foi um pintor de paisagens e marinhas nascido em Recife em 1863, que, por suas próprias palavras, se considerava amador. Transferindo-se para o Rio de Janeiro no final do sec. XIX, foi comerciante de arte e de artigos para pintura e com isso travou conhecimento e amizade com muitos pintores do final do sec.XIX e da primeira metade do sec.XX como por exemplo Santa-Olalla, de quem recebeu orientações e o incentivo para que ingressasse como aluno no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. Mesmo mantendo a pintura em segundo plano em suas atividades, começa a expor em 1897, tendo participado de inúmeras exposições vindo inclusive a receber a Grande Medalha de Prata na Exposição Geral de 1930. Sem dúvida um reconhecimento pela sua tenacidade e perseverança. Faleceu no Rio de Janeiro em 1944, deixando uma produção razoável de pinturas, geralmente executadas em suportes alternativos como pedaços de madeira e tampas de caixa de charutos.

Atualmente, as obras de Lopes Rodrigues são relativamente bem disputadas no mercado, principalmente as marinhas, pois contém em sua maioria a reprodução da iconografia dos recantos cariocas, numa paleta agradável e madura, onde os contornos das canoas se dissolvem em jogos de luz e sombra que refletem o calor e beleza das praias da cidade maravilhosa. Acima, reproduzo uma das obras de Lopes Rodrigues do acervo, reproduzindo uma canoa na praia, iconografia predileta do pintor. É sempre bom ficar de olho quando uma dessas aparecer nos leilões por aí.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Atilio Baldocchi - Um mestre-pintor paulista

Atilio Baldocchi - Margens do Rio Tietê - 1933

                 A obra acima, de autoria de Atilio Baldocchi, foi um desses achados que nos deixam gratificados. Pintura de paleta madura e bom desenho, consegue ser harmônica mesmo com um motivo difícil de pintar, onde a maior parte da execução são reflexos. Participante da mostra "Marinhas e Ribeirinhas" no Museu Lasar Segall em 1982, a obra mostra barcos no Rio Tietê e os reflexos do céu, margens, casas e dos próprios barcos nas águas puras do rio em 1933.
                Atilio Baldocchi foi desenhista, pintor e professor. Discípulo de Beniamino Parlagreco, nasceu em São Paulo em 1901, vindo a falecer na mesma cidade em 1984, dois anos após a mostra citada. Pintava principalmente paisagens e naturezas mortas, sendo que uma destas integra o acervo do Museu Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro. Morou durante muitos anos em São João da Boa Vista, no interior do estado de São Paulo, onde produziu boa parte de suas obras, infelizmente não muito conhecidas do público em geral, apesar da grande qualidade das mesmas. Artista premiadíssimo, participou de inúmeras exposições, algumas delas com outros nomes fortes da pintura brasileira como Alfredo Volpi e José Perissinoto. Vale a pena um olhar atento por quem gosta de boa pintura.
             

terça-feira, 10 de maio de 2016

Excepcionais obras para coleção

Gilberto Salvador
Prezados leitores, não é bem a finalidade deste espaço mas vou aproveitá-lo para oferecer ao público em geral algumas obras do acervo, em sua maioria óleos e acrílicos. Havendo interesse, façam contato por email e fornecerei os detalhes.

Logo acima vemos Gilberto Salvador e abaixo temos Jorge Casteran, Giancarlo Zorlini, José Paulo Moreira da Fonseca, Carlos Bastos, Escola Européia com selo da Sotheby's Inglaterra, Scliar, Jorge Vidgili, Paulo do Valle Jr, Maria Prestes, Sorensen, Saint Clair Cemin, Francisco Aurélio de Figueiredo, Fogaça, Luiz Zilveti, Colete Pujol, Virgílio Lopes Rodrigues, Virgílio Della Monica, Sophia Tassinari e Zanini.


Jorge Casteran
Jorge Casteran
Giancarlo Zorlini
Josè Paulo Moreira da Fonseca
Carlos Bastos
Escola Européia (Sotheby's)
          
         Carlos Scliar
Jorge Vidgili



     
     Paulo do Valle Jr.
                                                                     
Maria Prestes                                                                                               
Carlos Sorensen

Saint Clair Cemin
Francisco Aurélio de Figueiredo
Fogaça
Jorge Vidgili

Paulo do Valle Jr.

Luis Zilveti

Virgílio Lopes Rodrigues
Colete Pujol
Virgílio Lopes Rodrigues
                                                                                                 
Virgílio Della Monica
Sophia Tassinari
      
Mario Zanini

sábado, 7 de maio de 2016

Pequeno Antonio Bandeira redescoberto



A obra reproduzida acima, foi encontrada em um leilão do interior de São Paulo, e, a princípio, tinha autoria desconhecida. Trata-se de uma técnica mista sobre cartão, com aproximadamente 6cm x 8cm, com uma assinatura e aparentemente datado de 1948. Uma análise mais minuciosa revelou se tratar de uma pequena peça de autoria de Antonio Bandeira de 1948, ano em que o artista estava na França. O contato com a escola francesa da época, em constante ebulição de idéias e estilos, gerou em Bandeira uma necessidade de expressão com refinada liberdade de formas do ser humano e seus objetos mais próximos. A estilização das figuras tornou-se uma característica marcante das obras do primeiro período francês do artista, entre 1946 e 1950,  apesar de que poucos conhecem as não muitas obras dessa fase.

Perambulando por catálogos antigos vemos alguns exemplares "irmãos" maiores da pequena peça reproduzida no introito:



 

As imagens acima foram retiradas dos catálogos de Soraia Cals/ Evandro Carneiro e da Exposição Desconfigurações, e são bom exemplo da temática e técnica utilizadas por Bandeira à época citada. Temos em mãos sem dúvida, uma pequena pérola da obra deste magnífico artista que foi Antonio Bandeira.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Que tal achar um Caravaggio no sótão?


Caravaggio - Judith decapitando Holofernes

O quadro acima, que mostra a cena bíblica de Judith decapitando Holofernes, general de Nabucodonosor, foi recentemente confirmado por alguns especialistas como vindo das mãos do artista lombardo Caravaggio. Apesar de não ser uma unanimidade entre os especialistas, o quadro foi considerado autêntico pelos experts em Caravaggio Eric Turquin e Nicola Spinoza, este último ex-diretor do Museu de Nápoles e considerado um dos maiores especialistas na obra do artista. O mais interessante é que o quadro foi encontrado no sótão de uma casa no sudoeste da França, e a princípio foi atribuído a Louis Finson, um contemporâneo de Caravaggio. Talvez se este quadro tivesse sido encontrado aqui no Brasil ou em algum outro país das Américas, ele teria sido considerado uma cópia, falsificação ou outra coisa semelhante. Quando a redescoberta é na Europa, sempre a visão é diferente e falo isso com certa experiência. De qualquer forma, quem tem sótão com coisas antigas seria bom dar uma olhada...

segunda-feira, 28 de março de 2016

Luís Zilveti - pintor boliviano contemporâneo


Luís Zilveti - Cocina no.6 - óleo sobre tela

A obra reproduzida acima, de autoria de Luís Zilveti, é uma das pinturas do núcleo de arte latino-americana que pretendemos expor em nosso futuro museu.

Luís Zilveti nasceu em La Paz, Bolívia, em 1941 e desde a década de 1970 reside em Paris. Desenhista, pintor e muralista, possui um estilo figurativo inconfundível, com seus motivos imersos em brumas, nuvens e sombras. Estudou na Escola de Belas Artes de La Paz e depois arquitetura na Universidade San Andres. Em 1967 seguiu para Paris como bolsista na Cité Internationale des Arts em prêmio conferido pela Fundação Patiño, frequentando em seguida na mesma cidade o ateliê de gravura de Friedlander.

Possui inúmeros prêmios e suas obras e murais estão presentes em museus e coleções particulares na Europa e nas três Américas, possuindo inclusive verbete no importante dicionário de arte e artistas Benezit. É considerado um dos mais importantes artistas contemporâneos bolivianos da atualidade.

terça-feira, 8 de março de 2016

Gregory Fink, é uma honra!


Sem título, 90x150, técnica mista sobre painel - Fonte: site do artista

Hoje pela manhã, ao abrir meus emails, fui surpreendido pelo gentil convite feito pelo artista plástico Gregory Fink para adicioná-lo ao network do LinkedIn. Dentro de minha pequenez, me senti imensamente lisonjeado. Artista de renome, sua fama atravessou oceanos e suas obras já embelezam paredes de coleções particulares e museus pelo mundo, onde se ressaltam EUA, Inglaterra, França e Itália.

Sua pintura, em minha opinião, se caracteriza de maneira geral por um figurativismo lírico, cheio de gestualidade, no qual percebemos um "que" de Modigliani aliado a um desenho de expressão de Segall dos primeiros anos com um sotaque de Inos dos anos 60, realçado por um colorido ora orientalista pela diluição, ora "fauve" pela intensidade e pureza, conferindo às suas pinturas uma característica única, indelével e inconfundível, cujo fio condutor revela a sensibilidade e carinho com que o artista as executa. Sem sombra de dúvida ficará na história.

Gregory Fink, é uma honra!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Jorge Vidgili - Lembram dele?

Dos artistas que passaram pela Projecta Galeria de Arte, que pertenceu ao meu falecido sogro José Luiz Pereira de Almeida, um dos que mais impressionou pela técnica e desenho refinados aplicados às suas obras foi Jorge Vidgili. Lá ele expôs duas vezes, uma individual e outra coletivamente, ambas na década de 70, quando a galeria começava. Tendo as marinhas como tema principal, usava da transparência com a qual mesclava bambuzais, troncos e folhagens ao mar da Praia Grande, que adotou como local para viver e criar.

Jorge Vidgili - Natureza morta com cerâmica - do acervo

As naturezas mortas também faziam parte de sua temática, onde abóboras e cocos recebiam tratamento hiper-realista, sempre entremeados a cerâmicas, molduras ou fundos algo enigmáticos, despertando no observador uma necessidade de análise além da contemplação, mas que sempre ficará aquém do verdadeiro pensamento do gênio criativo.

Jorge Vidgili- Sem título - do acervo

Não são raras também as composições de cunho surrealista, onde a técnica de execução esmerada com desenho preciso, nos transportam como mágica para a cena da tela, que possui um mundo à parte de texturas e movimentos, onde figuras, animais e objetos com seus volumes, luzes e sombras, já por si provocam o olhar e deixam transparecer uma inquietação e um questionamento até quase selvagem do artista com relação à existência e aos relacionamentos que dela emanam.

Há uma referência de um texto biográfico da Ranulpho Galeria de Arte, onde Vidgili expôs, que diz que o artista faleceu em 1999. Acredito que possa ser possível, uma vez que não encontramos no mercado qualquer obra posterior a essa data, Mas como já ocorreu com outros artistas que pesquisamos, ele pode estar ainda vivo e quieto em algum canto, talvez produzindo ou quem sabe meio brigado com o mundo. Tenho uma relação de artistas que adotaram esse comportamento e com isso não estranharia. De qualquer forma as obras de Jorge Vidgili são raras atualmente e começam a chamar a atenção quando aparecem pela enorme beleza e qualidade, num mundo onde a abstração talvez esteja dando sinais de saturação e cansaço. Dificilmente uma dessas pinturas passa um leilão sem vender. Vale a pena ficar atento.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Macaparana - Breve olhar sobre suas antigas pinturas


Macaparana - Oratório - OST. Do acervo

Quem hoje em dia se inicia no mercado de arte contemporânea brasileiro, vai inevitavelmente cruzar com obras de José de Souza Oliveira Filho, dito Macaparana, apelido este dado em função de sua cidade natal homônima, localizada no sertão de Pernambuco. A geometria por ele utilizada atualmente, talvez possa ser considerada como uma síntese de um trabalho que começou há quarenta anos, na década de 70, quando pintava paisagens surrealistas que remontavam ao sertão de sua terra natal, sucedidas pelos ex-votos, cuja madeira e respectiva textura aparentemente encantavam o artista, que as reproduzia em suas telas com enorme perícia, apesar da formação auto didata. A enorme qualidade do trabalho de Macaparana é sem dúvida de reconhecimento geral, traduzido por participações em inúmeras exposições, no Brasil e no exterior, onde se destaca a 21a. Bienal de São Paulo de 1991. Lembro que ele também expôs na Projecta Galeria de Arte, que pertencia a José Luiz Pereira de Almeida, meu falecido sogro, para quem Macaparana pintou o quadro do oratório acima.

Após breve passagem pelo Rio de Janeiro em 1972, Macaparana desembarca em São Paulo em 1973 e lá se estabelece. Em 1983 entra em contato com Willys de Castro, um dos principais artistas do neoconcretismo brasileiro, e a partir daí, a síntese geométrica que já se avistava, sofre uma mudança ainda mais radical e se transforma na obra que hoje conhecemos, composta por elementos geométricos reproduzidos em duas ou três dimensões. Com isso, ao que sabemos, a produção pictórica figurativa se encerrou, deixando para nossa análise uma obra de temática interessante e execução refinada, que chama a atenção do observador pela beleza e pelo tratamento delicado conferido a cada quadro, onde o equilíbrio de paisagens, ex-votos ou simples folhas de árvores elevadas à condição de objeto ou tema principal, nos transportam a um mundo à parte, cercado de horizontes longínquos verde-azulados, contrastados por cabeças ou peixes-paisagens surreais, espetados em galhos ou troncos secos que restaram sobre o solo do semi árido do sertão, cuja imagem jamais morrerá na mente do artista.

Macaparana - Ex-voto, fonte: site escritoriodearte.com.br

As obras reproduzidas acima reforçam de certa forma a descrição feita e mostram inclusive o tratamento da textura da madeira citado, onde veios e nós são tratados com elevado realce e as figuras e objetos estão dispostos com relativa simetria. No quadro mostrado mais acima, cujo motivo principal é um oratório, os objetos e figuras presentes na pintura estão representados alinhados na parte inferior e  compõem com a cruz no topo do oratório um triângulo imaginário que aponta para cima, para o céu, talvez como se quisesse dizer que é lá que estão todas as respostas. No outro quadro, no qual temos um ex-voto sobre um tronco, a forma obtida é de um monolito esculpido, um cilindro, que contrasta com as linhas do horizonte, com as quais forma uma cruz. O solo árido ao redor do tronco, cujo pé nele está enraizado, transmite um sentimento de solidão, de esquecimento e de certa impotência, como se o horizonte verde, belo e luminoso que o observador vislumbra, fosse impossível de se alcançar.

As pinturas dessa fase de Macaparana são realmente singulares e belas, e já estiveram inclusive em leilões internacionais como Christie's de Nova York, onde uma paisagem surrealista foi leiloada há alguns anos por valor em torno de US$ 10.000, se não me falha a memória. O artista está em plena produção da fase geométrica mas entendo que a valorização de suas paisagens e ex-votos é certa. O mais importante é nos deleitarmos com a beleza e toda a carga de reflexão que estas belas pinturas nos transmitem.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Carlos Bastos - Espetacular artista baiano


Carlos Bastos, Figuras, Nova York 1950. Do acervo

Carlos Frederico Bastos nasceu em Salvador, Bahia, em 1925 e pode ser considerado um dos principais e mais importantes artistas que a boa terra já produziu. Sua morte em 2004, data relativamente recente, fez com que se acendesse uma luz mais intensa sobre sua obra, que vai da pintura e ilustração aos murais e à cenografia. Iniciou seu aprendizado artístico na Escola de Belas Artes da Universidade da Bahia em 1944. Nesse mesmo ano já participa com Mario Cravo e Genaro de Carvalho da 1a. Mostra de Arte Moderna da Bahia. Em 1946 se muda para o Rio de Janeiro onde ingressa na Escola Nacional de Belas Artes. Estuda com Iberê Camargo, Santa Rosa, Carlos Oswald e Portinari. Em 1947 faz estudos em Nova York e posteriormente em 1949 vai para Paris onde estuda pintura mural e afresco na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts e desenho na Académie de la Grande Chaumière, retornando ao Brasil em 1951. Percebe-se no breve relato acima a sólida formação artística conquistada.

Participou de inúmeras exposições individuais e coletivas, no Brasil e no exterior, onde se destacam a Bienal de São Paulo de 1953 e o Salão Nacional de Arte Moderna do Rio de Janeiro de 1955, possuindo obras em vários museus e coleções particulares.

Com uma temática diretamente ligada à sua terra natal, reproduziu seu povo, festas e tradições com um desenho de maturidade indiscutível e um colorido intenso, forte e quente como a Bahia e sua gente. Sem sombra de dúvida a redescoberta de Carlos Bastos está só começando.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Simon Segal - Artista da Escola de Paris que passou por São Paulo


A obra reproduzida acima, de autoria de Simon Segal, foi mais um dos achados gratificantes no mercado de arte de São Paulo.

Simon Segal, artista de origem judaica da Escola de Paris, nasceu no ano de 1898 em Bialystok - hoje Polônia, mas que na época pertencia ao Império Russo. Emigrou para a França em 1925, vindo a se naturalizar em 1949. Começou a expor em 1935 em Paris, onde era amigo do marchand Bruno Bassano. Foi pintor, ilustrador e muralista, tendo inclusive trabalhado com o brasileiro Antonio Carelli nos murais da Catedral da Sé em São Paulo, após ter sido apresentado ao muralista brasileiro em Paris. Foi em São Paulo também onde Segal realizou uma exposição individual de seus mosaicos no MAM - Museu de Arte Moderna em 1960. Na pintura, executou retratos, paisagens, marinhas e quadros com motivos de animais, como o pertencente ao nosso acervo.

O artista veio a falecer em 1969 em Arcachon, onde está enterrado, e deixou uma obra de certa forma escassa. Do site da Sociedade dos Amigos de Simon Segal, entidade parisiense criada para difundir, estudar e catalogar a obra de Simon Segal, extraímos as exposições abaixo :

Em vida
  • 1935 — Paris – Billiet-Worms Gallery
  • 1950 — Paris – Drouant-David Gallery
  • 1951 — Toulon
  • 1953-55 — Paris – Bruno Bassano Gallery
  • 1956 — Albi – Musée Toulouse-Lautrec (retrospectiva)
  • 1957 — Paris – Bruno Bassano Gallery
  • 1959 — Paris – Musée Bourdelle (mosaicos)
  • 1960 — São Paulo – MAM - Museu de Arte Moderna (mosaicos)
  • 1961 — London – Grosvenor Gallery
  • 1963 — Milan – Stendhal Gallery
  • 1964 — Paris – Bruno Bassano Gallery
  • 1968 — Paris – Drouant Gallery
Póstumas

  • 1971 — Brest – Palais des Arts et de la Culture (retrospectiva)
  • 1972 — Valréas – Château de Simiane (retrospectiva)
  • 1982 — Paris – Salon de la Rose-Croix (retrospectiva)
  • 1989 — Paris – Musée du Luxembourg (retrospectiva, 160 obras)
  • 1990 — Paris – Salon du Dessin & de la Peinture à l'eau (30 obras)
  • 1997 — Arcachon (retrospectiva, 50 obras)
  • 1999 — Cherbourg – Musée Thomas Henry, Segal à La Hague (70 obras)
  • 2010 — Białystok – Muzeum PodlaskieThe secret child of Białystok (90 obras)

O artista e sua obra têm como especialista a senhora Nadine Nieszawer, expert nos artistas judeus da Escola de Paris, que gentilmente confirmou a autenticidade do quadro de Simon Segal exposto acima e que será exibido no MISP - Museu do Interior Sul Paulista.