
Renoir não suportou muito tempo a convivência com o velho mestre suiço e resolveu sair do ateliê de Gleyre. Juntamente com Monet, pegaram os cavaletes e foram pintar ao ar livre, como diria outro impressionista, Paul Cezanne, "sur le motif". Foi desse modo que Renoir e seus companheiros começaram a captar a luz plena das paisagens, em quadros que representavam um determinado instante da situação pintada, onde rios, matas e o céu ganhavam um colorido diferente, mais límpido e vivo. Mas longe de ter sido fácil serem entendidos. Com isso, Renoir não vendia muitos quadros e para se sustentar fazia retratos da burguesia da época. Muitas vezes teve que dar quadros em pagamento do aluguel, de comida e também dos materiais de pintura que utilizava. O retrato reproduzido abaixo, que mostra a Condessa de Pourtalès, pertencente ao acervo do MASP, é um bom exemplo dos retratos pintados por Renoir.
Na década de 1870, podemos dizer que Renoir, mesmo nos retratos, foi de um impressionismo puro, principalmente nas paisagens, executadas em pinceladas muito rápidas, geralmente carregadas de "impasto", o qual também ajudava no efeito visual da obra. O quadro abaixo, chamado " O esquife", de 1875, é um belíssimo exemplo da pintura de paisagem impressionista de Renoir.
Na década de 1880, começam as primeiras mudanças na obra de Renoir. Após uma viagem à Itália, o pintor volta para a França em plena crise. Após ter visto as obras dos grandes mestres renascentistas e do afrescos de Pompéia, Renoir chegou a declarar a alguns amigos que não sabia nem desenhar e nem pintar. Com isso, deu uma guinada drástica na sua forma de pintar, tentando se aproximar dos grandes mestres. Começou então aquela que alguns chamam de fase ácida, ou então período "ingresco", fazendo referência ao pintor Ingres, um dos mestres que Renoir também muito admirava. As figuras eram extremamente desenhadas e bem acabadas, os rostos eram perfeitamente delineados e as obras possuiam mais detalhes do que geralmente utilizava. Mais uma vez, choveram críticas pelo abandono da velha forma por aqueles que já começavam a gostar e se acostumar com o impressionismo. O quadro reproduzido abaixo, " As Grandes Banhistas", é o melhor exemplo dessa fase.
Após alguns anos, no final da década de 1880 e início da década de 1890, Renoir retorna ao estilo antigo mas desta vez um pouco suavizado. Impressionismo em alguns detalhes e melhor acabamento em outros. Nesta fase, Renoir pintou obras maravilhosas, onde prevalecem as suas famosas banhistas, cenas de jovens no campo com chapéus floridos, e paisagens executadas de uma forma mais suave, onde as pinceladas continuam sendo rápidas mas um pouco mais leves. Aparecem alguns verdes realizados de forma mais "esfumada", com toques de amarelo para a luz e de azul para indicar as partes sombreadas, tudo dentro de uma harmonia e um estilo inconfundível. A paisagem com ponte reproduzida abaixo, que pertence à Reunião dos Museus Franceses, é um exemplo desta pintura.

Em meados da década de 1890, Renoir começa a sentir os efeitos de uma doença que muito o abalou: a artrite reumática deformante. Sentia dores nas mãos e nas juntas, a ponto de quando, em função do incômodo que geravam, acordava durante a madrugada, pedia material de pintura e executava pequenas pinturas em madeira para suportar e tentar esquecer o mal que sofria. No Natal de 1898, foi acometido da sua mais forte crise de artrite, a ponto de não poder mexer as mãos e os braços. A partir deste momento, o estado de sua saúde só se agravou. Mas quem vê a pintura de Renoir, não consegue ver nela os efeitos de um homem doente e atormentado pela dor. Sempre pintou a alegria de viver. A estória de que ele amarrava os pincéis às mãos para pintar é pura fantasia. Sofria mas reclamava pouco, principalmente se tinha algum motivo para pintar.
Foi casado com Aline Charigot, que além de esposa lhe serviu de modelo, e com ela teve três filhos: Pierre, que foi ator famoso na França, Jean, que foi um dos mais renomados diretores de cinema do mundo e Claude, o mais novo, que se dedicou à cerâmica.
Pintou praticamente até o últimos dia de vida e faleceu em 3 de dezembro de 1919 em Cagnes sur Mer, para onde havia mudado em função do clima que lhe era mais favorável, deixando uma obra extensa e maravilhosa, estimada em mais de 6000 peças. Hoje sua catalogação é feita pelo Wildenstein Institute e pela Galeria Berheim-Jeune, sendo que François Daulte editou dois volumes do catálogo de figuras de Renoir. Em futuras postagens, comentaremos sobre outros importantes mestres impressionistas.




Soraia e Evandro também levarão a pregão obras de ótimos artistas ingênuos e naifs como Rosina Becker do Valle, Heitor dos Prazeres, Poteiro e mais alguns. Contará também com obras de alguns artistas estrangeiros como Pablo Picasso e Mane-Katz, este último, artista nascido na Ucrânia pertencente à Escola de Paris, cuja obra reproduzida abaixo "Estudante Religioso", irá a pregão com estimativa de R$ 22.000,00.
Sem dúvida será um belíssimo leilão, que só pela seleção já é um sucesso. Vale a pena acompanhar e participar, pois existem oportunidades raras ( como por exemplo algumas xilos de Oswaldo Goeldi) que podem incrementar em qualidade o acervo de qualquer colecionador. Aos que moram no Rio de Janeiro, será com certeza interessante ir ao Atlântica Business Center acompanhar pessoalmente e claro, fazer algum excelente negócio. Bom leilão a todos!

Marquet viajou bastante. Pintou belas paisagens, portos e marinhas por quase toda a França, principalmente as vistas do Sena em Paris, e também na Inglaterra, Itália, Alemanha, União Soviética, Argélia, Noruega e até em Estocolmo na Suécia. Casou-se em 1923 com Marcellle Martinet, a quem conheceu em uma de suas idas à Argélia, para fugir do frio do inverno de Paris, que lhe custava resfriados intermináveis. 
Matisse nasceu em 31 de Dezembro de 1869 em Cateau Cambrésis, no norte da França, e tornou-se artista depois de ter cursado direito, para desgosto de seu pai, que o via como um homem de leis. Em Paris, frequentou a Academia Julian em 1891, onde estudou com Bouguereau. Em seguida, frequentou o atelier de Gustave Moreau na Escola de Belas Artes de Paris, onde encontra Rouault, Manguin e Camoin. Em seguida, conhece Rodin e Pissarro e se apaixona pela pintura impressionista. Logo em seguida, em contato com a obra de Signac, passa por um breve período pela pintura divisionista, mas com um traço pessoal onde as pinceladas eram retangulares e mais largas, com justaposição de cores puras complementares. A passagem para o estilo dos "fauves" foi uma mera evolução neste processo. Um colorido intenso unido a um domínio completo do desenho. O resultado foram obras de uma beleza extraordinária, sejam nas paisagens, nas naturezas mortas, nos retratos e principalmente nos nus femininos, onde toda uma sensualidade bem comportada exala das telas. O quadro reproduzido abaixo, Odalisca com faixa verde, pertencente ao Museu de Arte de Baltimore, é um exemplo claro dessa fase.

Se analisarmos, por exemplo, o quadro acima, Família de Saltimbancos, executado em 1905, em pleno período rosa, transição entre a primeira fase do pintor, a fase de juventude também denominada fase azul e a fase cubista/abstrata, percebemos o nível de elaboração que Picasso buscou. Estudos de raios-X realizados na década de 80, mostraram que este quadro passou por três fases de execução distintas, até que o artista chegasse naquilo que considerou o ideal. Foram inúmeros os desenhos e esboços para este quadro, sendo que até gravuras em ponta seca com as posições dos personagens foram realizadas. É uma obra de grandes dimensões e que deve ter custado muito caro a Picasso realizá-la, mesmo no período da vida em que passou por grandes dificuldades financeiras. Mas o gênio e o seu temperamento inquieto, não permitiram que ele sossegasse enquanto não atingisse o ideal por ele, de alguma forma, imaginado. Perceba que os personagens não se entreolham, parecem que estão isolados no mundo. Talvez fosse como ele Picasso, se sentia na época.
Já na obra acima, Les Demoiselles d'Avignon, de 1907, o seu caderno de desenho de no. 42, mostra que Picasso estudou não só a estrutura da obra mas também cada personagem detalhadamente e sem dúvida à exaustão, se é que ele se cansava do que fazia. Ele sabia e sentia que pela vanguarda que a obra representaria, algo geométrica, algo já cubista, e sem dúvida exótica, deveria realizá-la com o máximo de esmero. Essa talvez seja a obra de Picasso mais conhecida no mundo, ao lado obviamente de Guernica.
Por último, acho que vale a pena comentar sobre a obra acima, O Rapto das Sabinas, a qual Picasso executou mediante um convite do pintor Edouard Pignon, para participar do Salão de Maio de Paris de 1963. Inspirado nas obras de Poussin e David, Picasso realizou inúmeros desenhos, esboços, telas preliminares, estudos e mais estudos para que conseguisse a síntese do que imaginava e sentia: completo horror e aversão à guerra e a quaisquer outras formas de violência contra a humanidade que tanto o deprimiram e aborreceram ao longo de sua vida. Abaixo, vemos a versão imediatamente anterior ao quadro final, que nos permite perceber um pouco a evolução do trabalho, com vistas a obter aquilo que ele considerava o ideal.