sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Desenho de Albert Marquet - Drawing of Albert Marquet

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This post, written in portuguese, is about a drawing from Albert Marquet, which probably shows Pierre Auguste Renoir in his late years, and that is going to be exhibited at our future museum.
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Albert Marquet - Portrait de Renoir?

Em abril de 2009, publiquei neste blog uma pequena biografia de Albert Marquet, pintor pós-impressionista francês, amigo de Henri Matisse, e que foi, em minha opinião, um dos maiores coloristas do movimento "Fauve". Aliás, a postagem gira em torno da maestria com a qual o pintor tratava a cor. Sempre fui apaixonado pela obra de Marquet e no final do ano passado, consegui trazer para o acervo um pequeno exemplar, um desenho, do famoso mestre de Bordeaux. É uma peça simples, como mostra a reprodução acima, mas também permite perceber como Marquet desenhava de maneira solta e rápida. Poucos traços e a figura está definida. Arriscaria até a dizer que o artista tenha feito um esboço de Renoir em seus últimos anos. A mão contorcida da figura como ponto central, denuncia talvez a intenção de realçar a deformação gerada pela artrite que tanto fez sofrer o grande mestre impressionista. A foto logo abaixo de Renoir com Marquet e Matisse talvez possa embasar a suspeita. Mas é só um palpite. Percebam o detalhe da mão fechada de Renoir, como mostra o desenho.

Renoir na cadeira de rodas, Marquet à esquerda e Matisse em pé no centro em 1918



No verso da obra, reproduzido abaixo, temos um esboço rapidíssimo de um nu feminino, muito característico quando comparado com outros desenhos de Marquet.


Uma assinatura com a iniciais "a.m" alinhava a obra, que é de uma leveza impressionante. Realmente simples mas sem dúvida um Marquet.

sábado, 9 de junho de 2012

Pancetti - Poesia do Mar e do Homem em traços

Difícil escrever sobre Pancetti. A começar pelo título do texto, afinal, já foram tantos: O Pintor Marinheiro, O Marinheiro Só, Marinheiro  Pintor e Poeta e muitos outros. Pancetti possui hoje uma extensa bibliografia, com textos críticos e biográficos escritos por gente do mais alto quilate, como o Prof. José Roberto Teixeira Leite, Max Perlingeiro, Denise Mattar e outras estrelas de primeira grandeza.
Mas, sempre pulsou no coração e na mente deste neófito que vos escreve, recém chegado às praias "pancettianas", uma vontade muito grande de prestar neste espaço uma simples mas sincera homenagem a este grande marinhista brasileiro, filho de imigrantes italianos originários da Toscana e marinheiro de carreira chamado Giuseppe Gianinni Pancetti, ou simplesmente, como adotou logo cedo em sua vida, José Pancetti.

"Eu" Auto-retrato, desenho, Coleção Banerj Fonte: MHAERJ

Mas, escrever o quê? O que falar deste artista nascido em Campinas, no ano de 1902, e que amargou uma infância dura e juventude desregrada? Qualquer esforço biográfico cairá inevitavelmente no lugar comum. Tenho que me deter de alguma forma em seu trabalho como pintor, como artista de ponta do modernismo brasileiro. Trabalhos de doutorado recentes, no Brasil e no exterior, já traduziram inclusive e em detalhes as pinceladas vigorosas, muitas vezes carregadas de areia das praias, deste fenomenal artista, cuja obra é de suma importância e se situa no mais alto patamar de representatividade da arte moderna brasileira.

Resolvi então abordar, de forma extremamente resumida, uma parte da obra de Pancetti, que apesar de  pouco extensa quando comparada ao total da obra produzida, não pode ser considerada menos importante, por ser a base de todo o seu trabalho: O desenho


Durante a década de 1940, quando começou a fazer certo sucesso em suas exposições, conquistando prêmios almejados por muitos, Pancetti tinha entre seus mais vorazes críticos, aqueles que debochavam dele  pelo fato de não ter vindo da Academia, do ensino clássico da pintura. A bem da verdade, seu aprendizado foi basicamente auto-didata até 1933, ano em que se matricula no Núcleo Bernardelli, onde conviverá com artistas como Bruno Lechowsky e Milton Dacosta, recebendo deles conselhos e orientações, que muito contribuíram para sua evolução.

Ora, quando deparamos com a obra de um grande artista figurativo e mesmo paisagista, jamais conseguiremos separá-la do seu desenho. Documentos fotográficos como os mostrados abaixo, que mostram Pancetti trabalhando, retratam muitas vezes suas telas com a base de suas pinturas como sendo desenhos a "fusain", precisos e já com o formato final que teriam as pinturas, bastando apenas nelas aplicar a tinta. Muitas vezes o pigmento passou a ser mero detalhe. Abaixo temos um exemplo numa foto do artista executando uma marinha com figuras.

                            Fonte: Max Perlingeiro, Edidota Pinakotheke


Na imagem abaixo, que mostra Pancetti iniciando um de seus quadros da Lagoa de Abaeté na Bahia, percebe-se nitidamente no desenho base a posição definitiva das figuras, as sombras já indicadas e de certa forma percebe-se que a ação do sol e do clima quente do local já emanam genialmente da tela.

Fonte: Bolsa de Arte do Rio de Janeiro

Algumas obras em papel do artista, como a maternidade reproduzida abaixo, vão mostrar também uma mão firme, com execução em traços únicos e precisos, determinando limites, volumes, extensões e não poucas vezes, como citado acima, o clima da composição. Só consegue realizar uma obra com todos esses atributos aquele artista que atinge o patamar de mestre, que domina o ofício como "bom artesão", como definiria Renoir, um dos maiores pintores impressionistas franceses, e título que devemos aplicar a Pancetti sem a menor sombra de dúvida.

                                     
Maternidade, Coleção Particular  Fonte: Bolsa de Arte do Rio de Janeiro

Pancetti dominava o grafite, o crayon, a sanguínea e o lápis de cor bem como o nanquim, a aquarela e a sépia. Alguns de seus desenhos são concisos, com poucos traços definindo a figura. A maior parte porém, é constituída por desenhos nos quais o artista mostrou a preocupação com o delineamento da figura ou paisagem, conferindo harmonia à composição, com todas os nuances de luz e sombra, zelando pelo posicionamento do motivo no suporte e pelas proporções. Os auto-retratos possuem o mesmo clima de seus óleos(vide imagem no início da postagem) e alguns retratos chegam a lembrar as figuras de mulatas feitas por Lasar Segall, tal a expressão conseguida por seus traços.

Outro ponto importante a se salientar em seus desenhos de figuras, é que Pancetti não possuía limitações para representar os modelos. Os desenhava em qualquer posição e com igual precisão. Com poucos traços a figura poderia estar sentada, deitada, de bruços, reclinada, lendo ou escrevendo. Tão fácil que poderia até parecer brincadeira, não levasse ele o ofício tão a sério.

Com o pouco exposto acima, podemos talvez concluir, o leitor julgue, que os críticos da época que questionaram a capacidade do artista Pancetti, o conheciam pouco. Como a verdade histórica, cedo ou tarde sempre prevalece, as cotações das obras do artista atualmente mostram o reconhecimento pelo mercado da genialidade deste grande pintor e da importância de sua obra no contexto do modernismo brasileiro.

Os traços puros de Pancetti, apesar de bem menos conhecidos que suas marinhas, ainda vão impressionar, e muito, as gerações futuras.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Fogaça - Uma pintura interessante


Recentemente, em alguns leilões, tenho encontrado obras de um artista cuja obra é no mínimo interessante. Trata-se de Fogaça, ou melhor, Pedro Soares Fogaça Filho, pintor nascido em 1950 em Mococa, estado de São Paulo, terra de Bruno Giorgi, um dos maiores escultores do modernismo brasileiro.

Fogaça iniciou sua carreira artística dentro de um estilo primitivo, mas seu trabalho apresentou sempre constante evolução, tendo sofrido, a princípio, forte influência de Tarsila do Amaral, um dos monstros sagrados do modernismo brasileiro, de quem foi aluno e amigo. Alguns chegam inclusive a definir sua fase pós primitiva como "tarsiliana", tal a ação que sua obra sofreu da renomada artista. Aliás esta influência é perceptível em como trabalha o valor dos pigmentos na intenção de gerar volumes e efeitos de luz em suas pinturas. A paisagem reproduzida acima é um nítido exemplo.

Apesar de uma pequena variação de motivos, que geralmente são paisagens, o trabalho mais recente de Fogaça caminha por um surrealismo onde exercita todo o seu imaginário, algo poético, com a reprodução de horizontes longínquos iluminados por um sol quente que talvez remonte à sua Mococa de infância, vez ou outra cortado por árvores pintadas em filigrana ou mesmo um barco solitário a  navegar no oceano da sua fantasia, tudo isso executado com uma técnica excelente e primorosa, que denota o perfeito conhecer da arte pictórica.

A primeira exposição de Fogaça de que se tem notícia ocorreu em 1969, ainda em Mococa, um pouco antes do artista se mudar para a capital do estado, onde expôs pela primeira vez individualmente em 1973 no Teatro Arena. De lá para cá, foram inúmeras exposições individuais e coletivas, tanto no Brasil como no exterior, tendo inclusive obras em museus do Chile e da Macedônia e em coleções particulares da Europa e América Latina.

Atualmente, além de pintar e ensinar pintura, Fogaça tornou-se um ativista ecológico, trazendo para o seu trabalho a causa da preservação ambiental. Por essas e outras é que acredito que os leilões começam a mostrar simplesmente o resultado de um trabalho artístico de boa técnica , realizado com seriedade e perseverança.

sábado, 12 de maio de 2012

Portinari na Christie's


No próximo dia 22 de maio de 2012 ocorrerá na Christie'e de Nova York o Leilão de Arte Latinoamericana, que tem na capa do catálogo a obra "Navio Negreiro" (representada acima) do nosso artista maior Cândido Portinari, um belíssimo óleo de 1950, pertencente à coleção do Embaixador Jayme de Barros, que irá a leilão com estimativa entre US$ 700 e US$ 900 mil, na nossa modesta opinião ainda uma pechincha. Portinari é um artista brasileiro que continua a ser "redescoberto" pela crítica e colecionadores do mundo inteiro, o que está fazendo os preços de suas obras dispararem.
O evento conta com pinturas e esculturas de outros brasileiros como Iberê Camargo, Maria Martins, Frans Krajcberg, Aldemir Martins(presente com dois desenhos) e Alfredo Volpi, este representado por uma obra de da dec. de 60, "Bandeirinhas com mastros e fita", que deve aguçar o apetite de alguns volpistas, apesar da estimativa de US$ 350 a US$ 450 mil, o que para boas obras de Volpi já está se tornando fato corriqueiro.
Alguns nomes de peso da pintura latinoamericana estarão representados no leilão como Fernando Botero(com obras de até US$ 1,2 milhão de estimativa), Torres Garcia, Matta, Pedro Figari e Leonora Carrington entre outros, incluindo pintores do sec. XIX, modernos e contemporâneos.
Vale a pena conferir, principalmente pelos artistas brasileiros de peso, que aos poucos vão conquistando seu merecido espaço no mercado de artes mundial.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Leilão Soraia Cals e Evandro Carneiro de Julho 2011

Acontecerá nos próximo dias 26 e 27 de Julho mais um leilão de Soraia Cals e Evandro Carneiro, que tem tudo para ser um sucesso. Os interessados deverão chegar cedo pois o pregão começa com uma série de desenhos, sobre certo aspecto de execução simples, de autoria de Di Cavalcanti, mercadoria escassa hoje em dia no mercado, principalmente quando se leva em conta qualidade e procedência. O artista está presente também com alguns óleos de muito bom gosto e preços interessantes.

O destaque da primeira noite ficará por conta de Antonio Bandeira, presente com dois óleos magníficos, estando o melhor deles reproduzido abaixo, denominado apenas por "Abstrato", uma tela com dimensões de 108 x 145 cm, assinada e datada de 1964, que irá para a parede do colecionador que desembolsar algo em torno de R$ 3 milhões para comprá-la. Pela escalada de preços das obras de Bandeira nos últimos anos, principalmente motivada pelo reconhecimento da importância do artista junto ao movimento do abstracionismo lírico, em companhia de Wols e outros, e pelas inúmeras exposições sobre o artista em tempos recentes no Brasil e mesmo no exterior, podemos dizer que o futuro comprador ainda dará boas risadas pela bagatela que vai pagar. Acredito que as obras de Antonio Bandeira ainda têm muito fôlego de valorização pela frente.



Outra peça que merece menção é a escultura em mármore de Maria Martins reproduzida abaixo, "Anna Maria", que possui estimativa de R$ 680 mil. Pela beleza e raridade da peça, somados à importância e envergadura da artista, considero até próximo de uma "pechincha". Minha opinião é que essa peça sai de lá vendida.





Claro que como nos demais leilões promovidos por Soraia Cals e Evandro Carneiro, há um corte longitudinal na produção artística brasileira de muito bom gosto, com obras para todos os "apetites". Marinhas de Garcia Bento e Castagneto, modernos como Goeldi, Cícero Dias e Portinari, ingênuos e naifs como os "Silva" José Antonio e Francisco, além é claro, de uma boa seleção de contemporâneos que inclui nomes como Daniel Senise, Gonçalo Ivo, Franz Krajcberg entre muitos outros. Vale a pena conferir.

sábado, 28 de maio de 2011

Jacques Douchez - Uma breve mas justa homenagem

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The post below is about the french born painter Jacques Douchez, who lives in Brazil since 1947, and dedicated his career to abstract works, mainly tapestry, where he explored the volume, on very beautiful works, exhibited all around the world, in an gourgeous abstract language, which made him one of the most famous contemporary brazilian artists.


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Há alguns dias, me senti atraído a adquirir um guache de um artista que considero excepcional: Jacques Douchez. Era uma obra daquelas que chamo "gostosa". Na minha interpretação da obra do artista, via dois peixes estilizados em formas geométricas, num colorido suave, quase frio, em tons de azul, verde e lilazes, que me fazia sentir tranquilo, calmo, exatamente o que muitos dizem que sentem quando vêem peixes em um aquário. Essa extraordinária capacidade de transmitir por uma obra de arte tais sensações é atributo inerente aos grandes mestres, denominação que veste de forma elegante este renomado artista. Não consegui comprar o guache mas minha admiração por Douchez só aumentou.

Jacques Douchez nasceu em Mâcon, França, no ano de 1921, e chega aos seus 90 anos com uma extensa obra onde prevalecem as gravuras, pinturas e principalmente as tapeçarias, como a reproduzida acima, arte na qual se especializou a partir de 1957, após ter participado do Atelier de Abstração de Sanson Flexor, tendo inclusive à época formado com Norberto Nicola o atelier Douchez-Nicola, no qual a tridimensionalidade da tapeçaria começou a ser explorada gradativamente, ao ponto de chegarem a ser consideradas "esculturas tecidas".




Participou de várias Bienais de São Paulo, sendo sua primeira exibição nesta mostra em 1953, na II Bienal, onde exibiu pinturas. Exibiu seus trabalhos, principalmente suas tapeçarias, em várias mostras individuais e coletivas no Brasil e no exterior. Em 1990, após longo período de concentração na arte da tapeçaria, volta a pintar, sempre de forma abstrata, reproduzindo alguns projetos antigos de suas formas tecidas.




Jacques Douchez chega aos 90 anos merecendo de todos os agentes do mercado de artes o reconhecimento, o respeito e a admiração por um trabalho coerente, consistente e acima de tudo de uma qualidade estética extraordinária, o que faz desse grande artista, por mais que nascido na França, um grande nome da arte abstrata brasileira.

sábado, 2 de abril de 2011

Painel de Di Cavalcanti sofre ato de vandalismo

O painel de Di Cavalcanti denominado " Imprensa", que pertencia ao antigo Hotel Jaraguá, no centro da cidade de São Paulo, foi cruelmente "ferido" por um vândalo, que aparentemente se denomina "Exorcista". Este infeliz deveria é então exorcizar a si próprio, pois só um demônio seria capaz de danificar uma obra importante de um dos maiores artistas brasileiros e da humanidade. E esse demônio tem nomes: falta de educação, falta de respeito, ignorância, desprezo pelo patrimônio público e privado entre outros. E o pior é que esta "besta" encarnada deve ter se divertido com isso, pondo seu apelido junto à assinatura de um dos mais célebres pintores que o mundo já produziu. Só podemos lamentar, quando não chorarmos de tristeza e desconsolo por termos um povo que desconhece totalmente a sua história. Isso talvez seja fruto de BBBs e outros achincalhes ao bom senso que existem disseminados pela mídia brasileira aliados a um total descaso das autoridades políticas brasileiras quanto ao nível de educação da nossa população.
A pichação no painel de Di Cavalcanti.

Este painel foi executado por Di Cavalcanti na década de 50 pelo processo de mosaico em pastilhas de vidro, o mesmo utilizado pelo artista em outros trabalhos da época, como a fachada do Teatro Cultura Artística de São Paulo, outro monumento maravilhoso, que esperamos seja sempre bem preservado. Abaixo, seguem duas imagens mais antigas do painel, assinatura e visão geral, antes do "atentado" . Percebemos que antes havia um espelho d'água, que de certa forma protegia o mosaico.
Esta é a assinatura do trabalho



Foto antiga do mural. Percebemos o espelho d'água que o protegia

crédito das imagens: Renato Wandeck e UOL/Folha


Que o ocorrido, além de trazer tristeza e lamentação, abra os olhos de nossos homens públicos, principalmente aos ligados à arte e cultura, para a necessidade de cuidado e preservação de verdadeiros tesouros que se encontram espalhados por muitas cidades do nosso país.