sábado, 12 de maio de 2012

Portinari na Christie's


No próximo dia 22 de maio de 2012 ocorrerá na Christie'e de Nova York o Leilão de Arte Latinoamericana, que tem na capa do catálogo a obra "Navio Negreiro" (representada acima) do nosso artista maior Cândido Portinari, um belíssimo óleo de 1950, pertencente à coleção do Embaixador Jayme de Barros, que irá a leilão com estimativa entre US$ 700 e US$ 900 mil, na nossa modesta opinião ainda uma pechincha. Portinari é um artista brasileiro que continua a ser "redescoberto" pela crítica e colecionadores do mundo inteiro, o que está fazendo os preços de suas obras dispararem.
O evento conta com pinturas e esculturas de outros brasileiros como Iberê Camargo, Maria Martins, Frans Krajcberg, Aldemir Martins(presente com dois desenhos) e Alfredo Volpi, este representado por uma obra de da dec. de 60, "Bandeirinhas com mastros e fita", que deve aguçar o apetite de alguns volpistas, apesar da estimativa de US$ 350 a US$ 450 mil, o que para boas obras de Volpi já está se tornando fato corriqueiro.
Alguns nomes de peso da pintura latinoamericana estarão representados no leilão como Fernando Botero(com obras de até US$ 1,2 milhão de estimativa), Torres Garcia, Matta, Pedro Figari e Leonora Carrington entre outros, incluindo pintores do sec. XIX, modernos e contemporâneos.
Vale a pena conferir, principalmente pelos artistas brasileiros de peso, que aos poucos vão conquistando seu merecido espaço no mercado de artes mundial.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Leilão Soraia Cals e Evandro Carneiro de Julho 2011

Acontecerá nos próximo dias 26 e 27 de Julho mais um leilão de Soraia Cals e Evandro Carneiro, que tem tudo para ser um sucesso. Os interessados deverão chegar cedo pois o pregão começa com uma série de desenhos, sobre certo aspecto de execução simples, de autoria de Di Cavalcanti, mercadoria escassa hoje em dia no mercado, principalmente quando se leva em conta qualidade e procedência. O artista está presente também com alguns óleos de muito bom gosto e preços interessantes.

O destaque da primeira noite ficará por conta de Antonio Bandeira, presente com dois óleos magníficos, estando o melhor deles reproduzido abaixo, denominado apenas por "Abstrato", uma tela com dimensões de 108 x 145 cm, assinada e datada de 1964, que irá para a parede do colecionador que desembolsar algo em torno de R$ 3 milhões para comprá-la. Pela escalada de preços das obras de Bandeira nos últimos anos, principalmente motivada pelo reconhecimento da importância do artista junto ao movimento do abstracionismo lírico, em companhia de Wols e outros, e pelas inúmeras exposições sobre o artista em tempos recentes no Brasil e mesmo no exterior, podemos dizer que o futuro comprador ainda dará boas risadas pela bagatela que vai pagar. Acredito que as obras de Antonio Bandeira ainda têm muito fôlego de valorização pela frente.



Outra peça que merece menção é a escultura em mármore de Maria Martins reproduzida abaixo, "Anna Maria", que possui estimativa de R$ 680 mil. Pela beleza e raridade da peça, somados à importância e envergadura da artista, considero até próximo de uma "pechincha". Minha opinião é que essa peça sai de lá vendida.





Claro que como nos demais leilões promovidos por Soraia Cals e Evandro Carneiro, há um corte longitudinal na produção artística brasileira de muito bom gosto, com obras para todos os "apetites". Marinhas de Garcia Bento e Castagneto, modernos como Goeldi, Cícero Dias e Portinari, ingênuos e naifs como os "Silva" José Antonio e Francisco, além é claro, de uma boa seleção de contemporâneos que inclui nomes como Daniel Senise, Gonçalo Ivo, Franz Krajcberg entre muitos outros. Vale a pena conferir.

sábado, 28 de maio de 2011

Jacques Douchez - Uma breve mas justa homenagem

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The post below is about the french born painter Jacques Douchez, who lives in Brazil since 1947, and dedicated his career to abstract works, mainly tapestry, where he explored the volume, on very beautiful works, exhibited all around the world, in an gourgeous abstract language, which made him one of the most famous contemporary brazilian artists.


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Há alguns dias, me senti atraído a adquirir um guache de um artista que considero excepcional: Jacques Douchez. Era uma obra daquelas que chamo "gostosa". Na minha interpretação da obra do artista, via dois peixes estilizados em formas geométricas, num colorido suave, quase frio, em tons de azul, verde e lilazes, que me fazia sentir tranquilo, calmo, exatamente o que muitos dizem que sentem quando vêem peixes em um aquário. Essa extraordinária capacidade de transmitir por uma obra de arte tais sensações é atributo inerente aos grandes mestres, denominação que veste de forma elegante este renomado artista. Não consegui comprar o guache mas minha admiração por Douchez só aumentou.

Jacques Douchez nasceu em Mâcon, França, no ano de 1921, e chega aos seus 90 anos com uma extensa obra onde prevalecem as gravuras, pinturas e principalmente as tapeçarias, como a reproduzida acima, arte na qual se especializou a partir de 1957, após ter participado do Atelier de Abstração de Sanson Flexor, tendo inclusive à época formado com Norberto Nicola o atelier Douchez-Nicola, no qual a tridimensionalidade da tapeçaria começou a ser explorada gradativamente, ao ponto de chegarem a ser consideradas "esculturas tecidas".




Participou de várias Bienais de São Paulo, sendo sua primeira exibição nesta mostra em 1953, na II Bienal, onde exibiu pinturas. Exibiu seus trabalhos, principalmente suas tapeçarias, em várias mostras individuais e coletivas no Brasil e no exterior. Em 1990, após longo período de concentração na arte da tapeçaria, volta a pintar, sempre de forma abstrata, reproduzindo alguns projetos antigos de suas formas tecidas.




Jacques Douchez chega aos 90 anos merecendo de todos os agentes do mercado de artes o reconhecimento, o respeito e a admiração por um trabalho coerente, consistente e acima de tudo de uma qualidade estética extraordinária, o que faz desse grande artista, por mais que nascido na França, um grande nome da arte abstrata brasileira.

sábado, 2 de abril de 2011

Painel de Di Cavalcanti sofre ato de vandalismo

O painel de Di Cavalcanti denominado " Imprensa", que pertencia ao antigo Hotel Jaraguá, no centro da cidade de São Paulo, foi cruelmente "ferido" por um vândalo, que aparentemente se denomina "Exorcista". Este infeliz deveria é então exorcizar a si próprio, pois só um demônio seria capaz de danificar uma obra importante de um dos maiores artistas brasileiros e da humanidade. E esse demônio tem nomes: falta de educação, falta de respeito, ignorância, desprezo pelo patrimônio público e privado entre outros. E o pior é que esta "besta" encarnada deve ter se divertido com isso, pondo seu apelido junto à assinatura de um dos mais célebres pintores que o mundo já produziu. Só podemos lamentar, quando não chorarmos de tristeza e desconsolo por termos um povo que desconhece totalmente a sua história. Isso talvez seja fruto de BBBs e outros achincalhes ao bom senso que existem disseminados pela mídia brasileira aliados a um total descaso das autoridades políticas brasileiras quanto ao nível de educação da nossa população.
A pichação no painel de Di Cavalcanti.

Este painel foi executado por Di Cavalcanti na década de 50 pelo processo de mosaico em pastilhas de vidro, o mesmo utilizado pelo artista em outros trabalhos da época, como a fachada do Teatro Cultura Artística de São Paulo, outro monumento maravilhoso, que esperamos seja sempre bem preservado. Abaixo, seguem duas imagens mais antigas do painel, assinatura e visão geral, antes do "atentado" . Percebemos que antes havia um espelho d'água, que de certa forma protegia o mosaico.
Esta é a assinatura do trabalho



Foto antiga do mural. Percebemos o espelho d'água que o protegia

crédito das imagens: Renato Wandeck e UOL/Folha


Que o ocorrido, além de trazer tristeza e lamentação, abra os olhos de nossos homens públicos, principalmente aos ligados à arte e cultura, para a necessidade de cuidado e preservação de verdadeiros tesouros que se encontram espalhados por muitas cidades do nosso país.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Leilão de Dezembro da Bolsa de Arte

No próximo dia 7 de Dezembro, ocorrerá em São Paulo, a primeira noite do último leilão do ano da Bolsa de Arte do Rio de Janeiro, contemplando a venda de obras de artistas acadêmicos, modernos e contemporâneos. Com uma seleção de muito bom gosto, serão oferecidas obras para todos os tipos de "apetite". Entre os artistas do sec.XIX, destaque para a obra de Castagneto "Barcos no Arsenal de Guerra do Império", um óleo s/ tela de 40x91cm, cuja estimativa está entre R$ 160.000 e R$ 220.000. Entre os modernos, saltam aos olhos as obras de Portinari, Guignard e Di Cavalcanti entre outras.
A estrela da noite é o tríptico "Sol sobre Paisagem" de Antonio Bandeira reproduzido abaixo, cuja estimativa está entre R$ 3,5 e 4,0 milhões. Se for vendido, e esperamos que seja, será com certeza um recorde para o artista.


fonte: Bolsa de Arte do Rio de Janeiro

O leilão traz boas oportunidades de compra. Uma delas é o pequeno óleo de Di Cavalcanti reproduzido abaixo, "Músicos", um óleo s/ tela de 24x33cm, que apesar de simples é bem característico e que pode se constituir ao futuro comprador, além do prazer da contemplação de uma obra de um dos maiores modernistas brasileiros, um excelente investimento.

fonte: Bolsa de Arte do Rio de Janeiro

Já no dia 9 de Dezembro, a Bolsa de Arte promove o leilão de Design, Fotografia e Arte Contemporânea, com excelentes oportunidades de compra para os amantes desses segmentos. Destaque para os móveis de Sergio Rodrigues e José Zanine Caldas, pinturas de Carlos Vergara, Antonio Dias e Waltercio Caldas, elementos escultóricos de Tunga e Luiz Paulo Baravelli e as fotografias de Otto Stupakoff. Vale a pena conferir.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Leilão de Arte Latinoamericana na Sotheby's

Ocorreu ontem a primeira noite do último leilão de Arte Latinoamericana da Sotheby's Nova York. Como de costume, foram poucas as obras de artistas brasileiros ofertadas. O destaque ficou para a obra "No. 232" de Sergio Camargo, reproduzida acima, que foi arrematada pela nada desprezível importância de US$ 482.500, já com as comissões incluídas

Outra obra de brasileiro vendida foi a tela acima de Di Cavalcanti, sem título, que pertencia ao ex-presidente da General Motors do Brasil, arrematada por US$ 104.500, esta sim, em minha opinião, uma "pechincha".

A estrela da noite acabou sendo a obra de autoria de Wifredo Lam "Les abalochas dansent pour Dhambala, diue de l'unité", que alcançou a soma de US$ 2.154.500, contribuindo para uma venda total no leilão de aproximadamente US$ 14,81 milhões. Nada mal.

Esperemos que arte brasileira conquiste mais espaço no mercado internacional. Qualidade para isso não falta.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

João Quaglia - Da Bahia para o mundo

João Garboggini Quaglia nasceu na Bahia em 1928, mais especificamente em Salvador, e como bom artista soteropolitano, vem desde o final da década de 40 realizando um obra extraordinária, principalmente no desenho, que teve como mestre Ado Malagoli, na pintura e na gravura, obtendo nesta última modalidade, na qual foi aluno de Mario Cravo, grande destaque e evidência em 1965, quando ilustrou o livro "A Morte" de Manuel Bandeira.
Quaglia possui uma qualidade de desenho ímpar e um trato da figura e das cores digna de mestre, daquele que conhece o ofício mas não se ufana por isso. Seus quadros aparecem constantemente em leilões mas não chega a ser dos artistas mais lembrados ou mesmo conhecidos. Sua postura é discreta como suas obras. É artista premiado e viajado. Aperfeiçoou sua pintura no Taller Boj em Madri, Espanha, e tanto conhece o assunto que se tornou professor. O auto-retrato abaixo mostra o refino da obra de Quaglia, tanto no desenho sutil como na paleta equilibrada e madura.




João Quaglia participou ao longo de sua vida de inúmeras exposições individuais e coletivas, no Brasil e no exterior, entre elas do Salão Nacional de Arte Moderna e da V Bienal de São Paulo de 1959. É também muralista, tendo executado os murais da Base Aérea de Salvador na Bahia, do edifício Suerdick na mesma cidade e da Embaixada do Brasil em Madri, na Espanha. Seus quadros já se encontram hoje em inúmeras coleções públicas e privadas, incluindo o Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, o Museu do Estado da Bahia, o Museu de Arte Moderna de Sergipe e o Museu da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
As telas de Quaglia tem como tema predominante a figura humana, retratada dentro de um expressionismo que adquire aspectos até dramáticos, onde homens, mulheres e crianças dotados de membros que demonstram uma liberdade nada convencional, conversam, trabalham e até se divertem, sempre com um ar de grande discrição. Mais raros são seus casarios, como o reproduzido acima, que também carregam sua marca de excelente desenho e paleta de muito bom gosto.
João Quaglia é sem dúvida um grande artista, um mestre de alto nível, cujo conjunto da obra merece ser cuidadosamente estudado e preservado, para que lhe seja conferido com o tempo, o seu devido valor e lugar na história da arte brasileira. Fica aqui a nossa mais sincera homenagem.