sexta-feira, 16 de outubro de 2009

7a. Bienal do Mercosul

Começou hoje em Porto Alegre e vai até o dia 29 de Novembro, a sétima edição da Bienal do Mercosul. Conforme a introdução existente no site do evento....:



"A 7ª Bienal do Mercosul começa em março de 2008, com o lançamento de um processo inédito para seleção do curador-geral. O concurso, aberto a profissionais de todo o mundo, recebeu 67 propostas para avaliação, vindas de candidatos de mais de 20 países. O método adotado marcou uma nova etapa evolutiva da Bienal do Mercosul, tornando mais dinâmica e transparente a escolha do curador.A proposta escolhida, assinada pelos curadores Victória Noorthoorn e Camilo Yáñez, atendeu às metas da Fundação Bienal do Mercosul:
• Foco na contribuição social, buscando reais benefícios para os seus públicos, parceiros e apoiadores;
• Contínua aproximação com a criação artística contemporânea e seu discurso crítico;
• Transparência na gestão e em todas as suas ações; • Prioridade de investimento em educação; e,
• Estabelecimento da Bienal como referência nos campos da arte, da educação e pesquisa nessas áreas.

Em linhas gerais, Noorthoorn e Yáñez propuseram um conceito de bienal que determina uma participação efetiva dos artistas que a compõem, valendo-se de sua energia criativa para refletir sobre o papel que representam. O projeto envolve os artistas na própria concepção da Bienal: considerados como atores sociais e constantes produtores de sentido crítico, os artistas serão responsáveis por conceituar formatos de exibição, o projeto pedagógico e as políticas editoriais do evento.A equipe curatorial da 7ª Bienal do Mercosul está integrada pelos seguintes curadores:
Curadores-gerais: Victoria Noorthoorn (Argentina) e Camilo Yáñez (Chile)
Curadora pedagógica: Marina De Caro (Argentina)
Curadores adjuntos: Roberto Jacoby (Argentina), Artur Lescher (Brasil), Mario Navarro (Chile) e Laura Lima (Brasil)
Co-curadora Radiovisual: Lenora de Barros (Brasil)
Curadores editoriais: Erick Beltrán (México) e Bernardo Ortiz (Colômbia)

A 7ª Bienal do Mercosul é uma plataforma aberta de comunicação sobre o estado das artes mais experimentais e críticas do continente, em diálogo com o mundo. Para a Fundação Bienal do Mercosul, esta Bienal vai promover ações pensadas para envolver o público em um processo contínuo de aproximação e diálogo, abrindo espaço para que as contribuições da Bienal à comunidade sejam positivas e crescentes a cada edição. Este contínuo projeto de renovação e ampliação se constitui num enorme investimento, cujos resultados não se restringem ao presente, mas serão percebidos também no futuro. "

Com aproximadamente 200 artistas, vale a pena uma ida a Porto Alegre e visitar a Bienal, cuja importância aumenta a cada edição, para se ater às tendências da arte brasileira e latinoamericana.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Valdir Sarubbi - Lembram dele?

Dos artistas que expuseram seus trabalhos na Projecta, galeria da qual meu falecido sogro era proprietário, Valdir Sarubbi foi um dos que mais me impressionou. A galeria abrigou duas individuais de Sarubbi em 1978 e 1982. A qualidade que empregava em seus trabalhos era tão grande e tão refinada, que lhe renderam inclusive em 1999/2000 um prêmio-bolsa pela Pollock-Krasner Fondation de Nova York, da qual recebeu rasgados elogios. Era apontado à época, como um dos grandes nomes da arte contemporânea brasileira. Infelizmente, por problemas de saúde, veio a falecer em São Paulo no ano 2000, quando seu poder de criação atingia o ápice. Das suas várias fases, reproduzimos abaixo um estudo em técnica mista da série "Este Rio é Minha Rua", na qual Sarubbi explora suas lembranças e conhecimentos da Amazônia, numa clara ação que clamava pela preservação do meio ambiente. É possível perceber nesse trabalho a grande qualidade do desenho e da execução como um todo. Um belo e raro exemplar.



Valdir Evandro Sarubbi de Medeiros nasceu em Bragança, estado do Pará, no dia 10 de Outubro, e estaria completando 70 anos. Foi pintor, desenhista, gravador e professor. Entre 1958 e 1962, cursa a Faculdade de Direito e entre 1969 e 1970, a Faculdade de Arquitetura, ambas em Belém (Pará). Em 1971, muda-se para São Paulo. Em 1986, desenvolve o Projeto Arte e Educação, como artista residente na Unicamp em Campinas (São Paulo). Em 1990, realiza a instalação do painel permanente denominado Meditação Labiríntica, na Estação Barra Funda do Metrô de São Paulo. Entre as exposições de que participa, destacam-se: XI e XII Bienal Internacional de São Paulo, 1971/1973; Salão Paulista de Arte Contemporânea, São Paulo, várias edições entre 1971 e 1975; Bienal Nacional, São Paulo, 1972/1974 (Prêmio Brasil Plástica, 1972); Panorama da Arte Atual Brasileira, no MAM/SP, São Paulo, várias edições entre 1974 e 1990; O Desenho como Instrumento, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, 1979; Bienal Latino-Americana, Havana (Cuba), 1984; 4ª Bienal Nacional de Santos, 1993. Em 2006, a DAN Galeria realizou uma exposição de Sarubbi com obras realizadas de 1970 a 1990.

Vários museus e coleções particulares no Brasil e no exterior possuem obras de Sarubbi, artista cuja memória merece ser resgatada, o que com certeza ocorrerá. É uma mera questão de tempo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Aldir Mendes de Souza - A geometria e a cor

Depois de Volpi e Arcângelo Ianelli, Aldir Mendes de Souza foi, sem dúvida, um dos maiores artistas coloristas do Brasil. Desde os primordios, quando iniciou a representação geometrizada dos campos e cafezais paulistas em contraste com a urbe, com a cidade impessoal e cinza, Aldir já mostrava uma paleta madura, em que as cores justapostas dialogavam pela geometria, estabelecendo uma arte algo dialética, onde a última palavra era do observador, que inevitavelmente acabava indo paisagem a dentro, dela usufruindo e com ela conversando. Seus campos arados e suas montanhas geometrizadas possuem aquela marca registrada do mestre, a assinatura indelevel de um autor inquieto, que ao longo de uma carreira de mais de 40 anos, interrompida pela doença em 2007, mostrou uma evolução constante no trabalho da forma e da cor, digna de comparação a Volpi e Ianelli.




Médico de profissão e artista por paixão, Aldir trouxe para as telas um sentimento de alegria constante, digno de quem sempre esteve de bem com a vida, mesmo nos últimos instantes, quando ela, a vida, se esvaía, consumida pela leucemia. Ele, médico, não curou a si mesmo, mas pintou a si de certa forma, executando as últimas telas de sua vida baseadas nos mielogramas de seus exames médicos ( exames de medula óssea).
Aldir participou de inúmeras exposições individuais e coletivas, entre elas da Bienal de São Paulo e Ibero Americana no México. Suas obras se encontram hoje em dia em vários museus e em importantes coleções particulares no Brasil e no exterior.


Foi também um pioneiro na denúncia pela arte da devastação do planeta e sua degeneração pela poluição. O avanço da cidade sobre o campo e a degradação da qualidade de vida do ser humano sempre foram possíveis de serem percebidas em muitas de suas composições. Aldir foi um artista com "A" maiúsculo, um colorista de primeira e um pintor como poucos. Acredito que num futuro não muito distante, a crítica e o público colocarão Aldir no merecido lugar, aquele reservado aos grandes mestres da forma e da cor, cujas obras exalam vida e cujas vidas exaltam, pela arte, o amor.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Sörensen - A poesia da cor

Carlos Haraldo Sörensen, ou simplesmente Sörensen, como assinava seus quadros, foi um artista brilhante, e mais que isso, um personagem das artes como um todo. Além de pintor, foi arquiteto, gravador, ilustrador, tapeceiro, poeta, ator, figurinista, cenógrafo e ceramista. Este "autêntico" dinamarquês nascido em Bauru - SP, fez de tudo um pouco no campo das artes, culminando como cenarista do programa "Fantástico" da Rede Globo, tendo antes disso passado pela Tupi, com incursões pela Record e Bandeirantes. Foi também carnavaleso premiado pelos figurinos da Portela e bailes de carnaval históricos no Rio de Janeiro. A breve descrição anterior já é suficiente para perceber que Sörensen podia ter tudo, menos preguiça.


No campo da pintura, estudou com Lhote e Gleizes na França e trabalhou com Di Cavalcanti e Santa Rosa no Brasil. É necessário falar mais alguma coisa? As cores quentes de seu país tropical, renderam-lhe o adjetivo dado por A. Lhote de "colorista" . Realmente as obras de Sörensen são poesias coloridas de uma vibração e intensidade sem paralelo. Suas pinceladas generosas, rápidas e nervosas, com precisão de quem conhece o ofício de pintor, retratam uma arte figurativa, cheia de paisagens, marinhas, casarios e naturezas mortas, muitas delas carregadas de flores multicoloridas, como a reproduzida acima, dentro de um ambiente artístico onde a abstração era (e ainda é) a "coqueluche" da intelectualidade, sem que isso o fizesse menor. Sua arte é densa, cheia de vida e calor. Experimentou também a geometrização, talvez resquício da convivência com o mestre Lhote, mas sem abrir mão daquilo que mais prezava em seus quadros: a cor.

Produziu também murais(junto com Di Cavalcanti) tapetes, cerâmicas e assemblages, estas últimas inclusive, com um "sotaque" de vanguarda de quem preza a liberdade e busca novas formas de expressá-la.

Participou de várias exposições individuais e coletivas, destacando-se a sala paralela da Bienal de São Paulo de 1963, e suas obras estão presentes em museus e coleções brasileiras importantes.
Faleceu em fevereiro de 2008 deixando saudades e um legado de alegria constante, irradiada pela luz sublime que emana de seus quadros, repletos de Brasil, de poesia, de calor e cor, muita cor.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Gilberto Salvador - Um Mestre Contemporâneo

Há muito que admiro o trabalho de Gilberto Salvador, mais precisamente desde o início da década de 80, logo após o artista ter exposto seus trabalhos na Galeria Projecta, da qual meu sogro, José Luiz Pereira de Almeida, era sócio. Me impressionei desde o princípio com a precisão de execução de obras que "navegavam" pela Pop Art, mas sempre externando uma preocupação do artista com os aspectos sociais e também ecológicos do mundo que o cercava. Talvez um neo-figurativismo que evoluiu aos poucos, chegando a uma abstração onde a bidimensionalidade deixou de ser suficiente para que o artista expressasse todo o seu sentimento de liberdade. E como bem escreveu Jacob Klintowitz em seu livro sobre o artista: "O tema permanente de Gilberto Salvador é o diálogo entre oposições: formas inogârnicas e orgânicas, geométricas e barrocas, estático e movimento". São geralmente obras que nos levam à reflexão e nos transportam a cenários imaginários, onde o deleite se torna inevitável, não só pela temática mas também, e principalmente, pela fatura impecável.


Gilberto Salvador -"Solar Composto", 80x180 cm, datada de 1999

Além de artista plástico dos mais completos, Gilberto Salvador é arquiteto e professor universitário. Em complemento às obras que produziu, levou também suas idéias e conceitos em palestras e conferências proferidas no meio artístico brasileiro. Seu espírito é inquieto, seu instinto criador é fértil e seu trabalho é de artesão dedicado. Em seu ateliê extremamente profissional e organizado, dá asas à imaginação realizando obras delicadas e bem elaboradas, ricas em detalhes que espelham sua maestria: do papel artesanal para as gravuras ao fino acabamento de suas pinturas, passando pelos recortes, colagens e densos depósitos de pigmentos de seus quadros e elementos que tangem ao escultórico, buscando a tridimensionalidade tão almejada desde os primórdios. Como escultor, realizou obras importantes, uma das quais, com o título de "O Vôo de Xangô", está na Estação Jardim São Paulo do Metrô da capital paulista.

As obras de Gilberto Salvador já integram os acervos de importantes coleções particulares e museus como o Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado, o MASP - Museu de Arte de São Paulo, MAM SP -Museu de Arte Moderna de São Paulo e a Pinacoteca do Estado de São Paulo entre outros.

Entre as suas inúmeras exposições individuais e coletivas, destaque para a Bienal de São Paulo(67,77 e 91) e a Bienal Iberoamericana de Arte no México(98).

A partir de 12 de Setembro de 2009, acontece a "Gênesis no Museu da Casa Brasileira", exposição reunindo 30 peças tridimensionais de Gilberto Salvador, organizada por sua esposa e marchand, Ana Claudia Roso, com lançamento conjunto de um livro sobre a exposição e o artista. Vale a pena visitar pois Gilberto Salvador é sem sombra de dúvida um dos grandes nomes da arte contemporânea brasileira.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Salão da Hebraica em São Paulo

Vai do dia 18 ao dia 23 de Agosto o 16o. Salão da Hebraica, realizado no Salão Marc Chagall do "Clube A Hebraica" de São Paulo, que geralmente reúne galerias, escritórios de arte, antiquários e joalheiros de peso do Brasil. Existe arte e antiguidades de todos os tipos e para todos os gostos. Este ano contará também com uma sala especial em homenagem ao Ano da França no Brasil, organizada por Claudio Valério Teixeira e Max Perlingeiro, que com certeza tem tudo para ser magnífica.
Haverá também uma exposição em homenagem a Zanine Caldas, com curadoria de Luiz Octávio Louro Gomes, colococando ainda mais em evidência as peças de design. Atualíssimo.

Dentre os participantes, gostaria de citar um nome que cresce cada vez mais na arte contemporânea que é o do mineiro Murilo Castro. Murilo tem feito um trabalho muito bonito, de valorização e divulgação de novos talentos da arte brasileira, ação indispensável para que haja renovação e busca por um novo espírito de vanguarda. Entre as obras que serão apresentadas pela galeria, está o trabalho reproduzido abaixo "Grande Pássaro Mãe", de autoria de Mestre DIDI, cujas obras estão sendo muito procuradas e já frequentam os melhores leilões do país. Vale a pena a visita.

O Salão Marc Chagall fica na Rua Dr. Alberto Cardoso de Melo Neto, 115 nos Jardins em São Paulo. Considero o evento imperdível. Nos encontraremos por lá.

sábado, 8 de agosto de 2009

Leilão de Agosto da Bolsa de Arte do Rio de Janeiro

No próximo dia 20 de Agosto, na Rua Oscar Freire, 379, no coração dos Jardins em São Paulo, será realizado o leilão de Agosto da Bolsa de Arte do Rio de Janeiro, sem dúvida o mais tradicional leilão de arte do Brasil, e sempre um dos mais esperados. A seleção das obras dos leilões da Bolsa é uma das mais criteriosas, e sempre apresenta uma gama de boas oportunidades. Neste leilão, por exemplo, destaques para os contemporâneos, abstratos e concretos, onde nomes como Beatriz Milhazes, Barsotti, Ianelli, Franz Weismann e Bandeira entre outros, propiciam ao colecionador a chance de adquirir belos exemplares.

Quanto aos modernos, destaque para Di Cavalcanti, onde a deliciosa "Paisagem", reproduzida abaixo, é uma das obras do mestre "perfeito carioca" que será colocada à venda com estimativa de R$ 120.000 a R$ 180.000.


O leilão oferecerá ainda obras de Pancetti, Portinari, Tarsila, Bonadei e Djanira entre muitos outros artistas, que justificam uma visita e uma consulta ao catálogo, que está "on line" no site www.bolsadearte.com . É sempre bom lembrar que as obras comercializadas pela Bolsa de Arte, passam a ser, quase sempre, referências no mercado, aumentando ainda mais a importância do evento. Bom leilão!