segunda-feira, 6 de junho de 2016

Exposição Catadores

Neste último sábado, fomos ao SESI Itapetininga para um concerto da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, aliás muito bom por sinal, e nos deparamos no espaço de exibições no hall de entrada do teatro, a chamada Galeria SESI, com uma exposição de título "Catadores". Com curadoria de Sérgio Vaz, a mostra itinerante patrocinada pelo SESI São Paulo expõe fotografias, vídeos e uma escultura, cujo tema principal são os catadores de rua, esses anônimos seres humanos que ganham a vida com os rejeitos e sobras da sociedade. Com base no trabalho de dois artistas mineiros, Daniel Moreira (fotógrafo)  e Leandro Gabriel ( escultor), a mostra traz à tona a marginalidade social de homens e mulheres que sobrevivem do caminhar infatigável pelas ruas das cidades e grandes metrópoles a recolher papelão, vidros, latas e outro qualquer item que possa ser trocado pela ração do seu sustento.





O registro fotográfico de homens e animais, estes últimos utilizados para puxar as carroças, além de extrema qualidade plástica é impactante. Nos deparamos com seres humanos como nós, mas que muitas vezes desprezamos pelo simples fato de que o objeto do seu trabalho, o lixo, nos causa repugnância.


O escultor Leandro Gabriel, realizou para a mostra uma escultura executada com retalhos de chapa coletadas por um desses catadores representados, a exemplo do que já faz há muitos anos em seu ateliê, transformando sucata e material reciclável em obras de arte, sendo que várias já ocupam até espaços em coleções de museus e praças públicas. Algumas peças chegam inclusive a lembrar o bom Caciporé Torres, apesar de que acredito não ter havido qualquer interação entre Leandro e o escultor de Araçatuba.

Reputo como uma mostra a ser vista e degustada. Além da beleza estética fará o observador refletir sobre os possíveis anônimos, almas e seres de carne e osso, que temos todos os dias sob nossos olhares e que não percebemos. Vai valer a pena. Para mais informações segue o link da mostra  http://www.sesisp.org.br/cultura/exposicao/catadores.html .

terça-feira, 24 de maio de 2016

Ernesto De Fiori - Um belo desenho


                 Há uns anos achei o desenho a carvão reproduzido acima, de autoria de Ernesto De Fiori, em um leilão em São Paulo. Impressionante, mas ninguém deu atenção ao trabalho, talvez por se tratar de um retrato. Posteriormente vim a saber que a obra estava certificada pela sobrinha-neta do artista e reproduzida num belo catálogo da Companhia da Artes, daqueles leilões muito bem produzidos pelos Cohn.
                 Quem gosta de arte moderna paulista e se interessa principalmente pelos artistas do Grupo Santa Helena e da Família Artística Paulista sabe muito bem quem foi Ernesto De Fiori. Nascido em Roma em 1884 e naturalizado alemão, foi escultor, pintor e desenhista. Estudou e trabalhou na Itália e na Alemanha, vindo em 1936 para o Brasil. Se estabeleceu em São Paulo, onde travou conhecimento com Volpi, Zanini e Rossi Osir, artistas estes que sofreram grande influência de seu desenho e pintura vigorosos e soltos. Existem algumas paisagens de Volpi da década de 40 por exemplo, onde a influência de De Fiori é latente nos traços pretos das figuras e nos contornos da vegetação e relevos, marca característica das pinturas do pintor ítalo-alemão. Importante também ressaltar que o artista passou pelas oficinas da Osirarte, deixando sua marca em alguns azulejos, trabalho apenas interrompido por sua morte prematura em 1945.

                  Existem várias referências bibliográficas sobre De Fiori mas citaria apenas o livro escrito por Mayra Laudanna quando da exposição retrospectiva do artista na Pinacoteca do Estado de São Paulo, no qual vemos reproduzidos, entre muitos outros trabalhos, alguns retratos desenhados a carvão pelo artista de grande semelhança ao desenho do nosso acervo, o qual será, sem sombra de dúvida, uma das estrelas das futuras exposições do MISP.

sábado, 21 de maio de 2016

Um pequeno desenho de Aldo Bonadei


Acima vemos mais uma obra interessante que foi incorporada ao acervo há alguns anos, e que também pretendemos expor no MISP. Trata-se de um desenho à tinta de Aldo Bonadei, a quem já há tempos estamos devendo uma justa homenagem.

A obra em questão foi feita em Dois Irmãos, município no caminho de Uruguaiana, para onde Bonadei viajou juntamente com o amigo Fúlvio Pennacchi em 1945, para auxiliá-lo na execução das pinturas da Igreja Matriz daquela cidade.
O que impressiona no desenho é a leveza e precisão da execução direta à tinta, sem qualquer traço prévio a lápis. Nessa viagem Bonadei pintou várias paisagens e fez alguns esboços "sur le motif, parte deles inclusive em cadernos como mostrado no livro de Lisbeth Rebollo Gonçalves sobre o artista, para serem transformados posteriormente em telas ou simplesmente guardados.

A obra é simples e despretenciosa mas valerá muito a pena ser contemplada.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Atilio Baldocchi - Um mestre-pintor paulista

Atilio Baldocchi - Margens do Rio Tietê - 1933

                 A obra acima, de autoria de Atilio Baldocchi, foi um desses achados que nos deixam gratificados. Pintura de paleta madura e bom desenho, consegue ser harmônica mesmo com um motivo difícil de pintar, onde a maior parte da execução são reflexos. Participante da mostra "Marinhas e Ribeirinhas" no Museu Lasar Segall em 1982, a obra mostra barcos no Rio Tietê e os reflexos do céu, margens, casas e dos próprios barcos nas águas puras do rio em 1933.
                Atilio Baldocchi foi desenhista, pintor e professor. Discípulo de Beniamino Parlagreco, nasceu em São Paulo em 1901, vindo a falecer na mesma cidade em 1984, dois anos após a mostra citada. Pintava principalmente paisagens e naturezas mortas, sendo que uma destas integra o acervo do Museu Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro. Morou durante muitos anos em São João da Boa Vista, no interior do estado de São Paulo, onde produziu boa parte de suas obras, infelizmente não muito conhecidas do público em geral, apesar da grande qualidade das mesmas. Artista premiadíssimo, participou de inúmeras exposições, algumas delas com outros nomes fortes da pintura brasileira como Alfredo Volpi e José Perissinoto. Vale a pena um olhar atento por quem gosta de boa pintura.
             

É Zanini. Mas será que também pode ser Volpi?

Mario Zanini -  Pescadores -Máscara para pintura de azulejo - tmp - 15cm x 15cm

                     No ano passado, 2015, adquirimos num leilão uma peça interessante: Uma máscara para marcação do biscoito, nome dado ao azulejo antes da queima, de autoria de Mario Zanini(vide reprodução acima). Um desenho refinado  feito em sanguínea, cujas linhas foram perfuradas para "passar" a marcação do desenho sobre a base a ser pintada. Com certeza é da década de 40, período em que Zanini, assim como outros artistas do grupo Santa Helena, participaram da produção de azulejos na Osirarte de Paulo Claudio Rossi Osir, capitaneados por Volpi e o próprio Zanini, auxiliados por Hilde Weber e outros mais que tiveram passagem rápida pelo ateliê como Franz Krajcberg e Ernesto De Fiori.
                      Existem no mercado várias versões do azulejo, todas elas vindas dessa máscara, onde há entre elas variações das cores, detalhes das figuras e do fundo, mas sendo que as figuras são basicamente as mesmas. Abaixo temos a reprodução de uma dessas versões.

Mario Zanini - Pescadores - Azulejo Osirarte - 15cm x 15cm
                       O curioso da história desta aquisição é que localizei num catálogo de outubro de 2005 da Soraia Cals do Rio de Janeiro a imagem abaixo, de um desenho a carvão atribuído a Alfredo Volpi, procedente de uma coleção de peso, cujo motivo é exatamente, ou quase, o desenho da máscara que temos hoje no acervo. Sabe-se que Volpi e Zanini andavam sempre juntos à época e que muitos trabalhos na própria Osirarte foram feitos a quatro mãos, mesmo que a assinatura fosse apenas de um deles. Minha dúvida é se os desenhos tinham a mesma consideração e tratamento.

Alfredo Volpi - carvão sobre papel - 15cm x 15cm

É fácil perceber que as mínimas curvas estão presentes no carvão atribuído a Volpi. Será que foram daquelas obras feitas a quatro mãos? No mínimo, como já disse, é curioso e interessante.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Excepcionais obras para coleção

Gilberto Salvador
Prezados leitores, não é bem a finalidade deste espaço mas vou aproveitá-lo para oferecer ao público em geral algumas obras do acervo, em sua maioria óleos e acrílicos. Havendo interesse, façam contato por email e fornecerei os detalhes.

Logo acima vemos Gilberto Salvador e abaixo temos Jorge Casteran, Giancarlo Zorlini, José Paulo Moreira da Fonseca, Carlos Bastos, Escola Européia com selo da Sotheby's Inglaterra, Scliar, Jorge Vidgili, Paulo do Valle Jr, Maria Prestes, Sorensen, Saint Clair Cemin, Francisco Aurélio de Figueiredo, Fogaça, Luiz Zilveti, Colete Pujol, Virgílio Lopes Rodrigues, Virgílio Della Monica, Sophia Tassinari e Zanini.


Jorge Casteran
Jorge Casteran
Giancarlo Zorlini
Josè Paulo Moreira da Fonseca
Carlos Bastos
Escola Européia (Sotheby's)
          
         Carlos Scliar
Jorge Vidgili



     
     Paulo do Valle Jr.
                                                                     
Maria Prestes                                                                                               
Carlos Sorensen

Saint Clair Cemin
Francisco Aurélio de Figueiredo
Fogaça
Jorge Vidgili

Paulo do Valle Jr.

Luis Zilveti

Virgílio Lopes Rodrigues
Colete Pujol
Virgílio Lopes Rodrigues
                                                                                                 
Virgílio Della Monica
Sophia Tassinari
      
Mario Zanini

sábado, 7 de maio de 2016

Pequeno Antonio Bandeira redescoberto



A obra reproduzida acima, foi encontrada em um leilão do interior de São Paulo, e, a princípio, tinha autoria desconhecida. Trata-se de uma técnica mista sobre cartão, com aproximadamente 6cm x 8cm, com uma assinatura e aparentemente datado de 1948. Uma análise mais minuciosa revelou se tratar de uma pequena peça de autoria de Antonio Bandeira de 1948, ano em que o artista estava na França. O contato com a escola francesa da época, em constante ebulição de idéias e estilos, gerou em Bandeira uma necessidade de expressão com refinada liberdade de formas do ser humano e seus objetos mais próximos. A estilização das figuras tornou-se uma característica marcante das obras do primeiro período francês do artista, entre 1946 e 1950,  apesar de que poucos conhecem as não muitas obras dessa fase.

Perambulando por catálogos antigos vemos alguns exemplares "irmãos" maiores da pequena peça reproduzida no introito:



 

As imagens acima foram retiradas dos catálogos de Soraia Cals/ Evandro Carneiro e da Exposição Desconfigurações, e são bom exemplo da temática e técnica utilizadas por Bandeira à época citada. Temos em mãos sem dúvida, uma pequena pérola da obra deste magnífico artista que foi Antonio Bandeira.