terça-feira, 24 de maio de 2016
Ernesto De Fiori - Um belo desenho
Há uns anos achei o desenho a carvão reproduzido acima, de autoria de Ernesto De Fiori, em um leilão em São Paulo. Impressionante, mas ninguém deu atenção ao trabalho, talvez por se tratar de um retrato. Posteriormente vim a saber que a obra estava certificada pela sobrinha-neta do artista e reproduzida num belo catálogo da Companhia da Artes, daqueles leilões muito bem produzidos pelos Cohn.
Quem gosta de arte moderna paulista e se interessa principalmente pelos artistas do Grupo Santa Helena e da Família Artística Paulista sabe muito bem quem foi Ernesto De Fiori. Nascido em Roma em 1884 e naturalizado alemão, foi escultor, pintor e desenhista. Estudou e trabalhou na Itália e na Alemanha, vindo em 1936 para o Brasil. Se estabeleceu em São Paulo, onde travou conhecimento com Volpi, Zanini e Rossi Osir, artistas estes que sofreram grande influência de seu desenho e pintura vigorosos e soltos. Existem algumas paisagens de Volpi da década de 40 por exemplo, onde a influência de De Fiori é latente nos traços pretos das figuras e nos contornos da vegetação e relevos, marca característica das pinturas do pintor ítalo-alemão. Importante também ressaltar que o artista passou pelas oficinas da Osirarte, deixando sua marca em alguns azulejos, trabalho apenas interrompido por sua morte prematura em 1945.
Existem várias referências bibliográficas sobre De Fiori mas citaria apenas o livro escrito por Mayra Laudanna quando da exposição retrospectiva do artista na Pinacoteca do Estado de São Paulo, no qual vemos reproduzidos, entre muitos outros trabalhos, alguns retratos desenhados a carvão pelo artista de grande semelhança ao desenho do nosso acervo, o qual será, sem sombra de dúvida, uma das estrelas das futuras exposições do MISP.
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sábado, 21 de maio de 2016
Um pequeno desenho de Aldo Bonadei
Acima vemos mais uma obra interessante que foi incorporada ao acervo há alguns anos, e que também pretendemos expor no MISP. Trata-se de um desenho à tinta de Aldo Bonadei, a quem já há tempos estamos devendo uma justa homenagem.
A obra em questão foi feita em Dois Irmãos, município no caminho de Uruguaiana, para onde Bonadei viajou juntamente com o amigo Fúlvio Pennacchi em 1945, para auxiliá-lo na execução das pinturas da Igreja Matriz daquela cidade.
O que impressiona no desenho é a leveza e precisão da execução direta à tinta, sem qualquer traço prévio a lápis. Nessa viagem Bonadei pintou várias paisagens e fez alguns esboços "sur le motif, parte deles inclusive em cadernos como mostrado no livro de Lisbeth Rebollo Gonçalves sobre o artista, para serem transformados posteriormente em telas ou simplesmente guardados.
A obra é simples e despretenciosa mas valerá muito a pena ser contemplada.
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quarta-feira, 18 de maio de 2016
Atilio Baldocchi - Um mestre-pintor paulista
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| Atilio Baldocchi - Margens do Rio Tietê - 1933 |
A obra acima, de autoria de Atilio Baldocchi, foi um desses achados que nos deixam gratificados. Pintura de paleta madura e bom desenho, consegue ser harmônica mesmo com um motivo difícil de pintar, onde a maior parte da execução são reflexos. Participante da mostra "Marinhas e Ribeirinhas" no Museu Lasar Segall em 1982, a obra mostra barcos no Rio Tietê e os reflexos do céu, margens, casas e dos próprios barcos nas águas puras do rio em 1933.
Atilio Baldocchi foi desenhista, pintor e professor. Discípulo de Beniamino Parlagreco, nasceu em São Paulo em 1901, vindo a falecer na mesma cidade em 1984, dois anos após a mostra citada. Pintava principalmente paisagens e naturezas mortas, sendo que uma destas integra o acervo do Museu Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro. Morou durante muitos anos em São João da Boa Vista, no interior do estado de São Paulo, onde produziu boa parte de suas obras, infelizmente não muito conhecidas do público em geral, apesar da grande qualidade das mesmas. Artista premiadíssimo, participou de inúmeras exposições, algumas delas com outros nomes fortes da pintura brasileira como Alfredo Volpi e José Perissinoto. Vale a pena um olhar atento por quem gosta de boa pintura.
É Zanini. Mas será que também pode ser Volpi?
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| Mario Zanini - Pescadores -Máscara para pintura de azulejo - tmp - 15cm x 15cm |
Existem no mercado várias versões do azulejo, todas elas vindas dessa máscara, onde há entre elas variações das cores, detalhes das figuras e do fundo, mas sendo que as figuras são basicamente as mesmas. Abaixo temos a reprodução de uma dessas versões.
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| Mario Zanini - Pescadores - Azulejo Osirarte - 15cm x 15cm |
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| Alfredo Volpi - carvão sobre papel - 15cm x 15cm |
É fácil perceber que as mínimas curvas estão presentes no carvão atribuído a Volpi. Será que foram daquelas obras feitas a quatro mãos? No mínimo, como já disse, é curioso e interessante.
terça-feira, 10 de maio de 2016
Excepcionais obras para coleção
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| Gilberto Salvador |
Logo acima vemos Gilberto Salvador e abaixo temos Jorge Casteran, Giancarlo Zorlini, José Paulo Moreira da Fonseca, Carlos Bastos, Escola Européia com selo da Sotheby's Inglaterra, Scliar, Jorge Vidgili, Paulo do Valle Jr, Maria Prestes, Sorensen, Saint Clair Cemin, Francisco Aurélio de Figueiredo, Fogaça, Luiz Zilveti, Colete Pujol, Virgílio Lopes Rodrigues, Virgílio Della Monica, Sophia Tassinari e Zanini.
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| Jorge Casteran |
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| Jorge Casteran |
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| Giancarlo Zorlini |
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| Josè Paulo Moreira da Fonseca |
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| Carlos Bastos |
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| Escola Européia (Sotheby's) |
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| Carlos Scliar |
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| Jorge Vidgili |
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| Paulo do Valle Jr. |
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| Maria Prestes |
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| Carlos Sorensen |
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| Saint Clair Cemin |
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| Francisco Aurélio de Figueiredo |
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| Fogaça |
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| Jorge Vidgili |
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| Paulo do Valle Jr. |
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| Luis Zilveti |
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| Virgílio Lopes Rodrigues |
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| Colete Pujol |
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| Virgílio Lopes Rodrigues |
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| Virgílio Della Monica |
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| Sophia Tassinari |
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| Mario Zanini |
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sábado, 7 de maio de 2016
Pequeno Antonio Bandeira redescoberto
A obra reproduzida acima, foi encontrada em um leilão do interior de São Paulo, e, a princípio, tinha autoria desconhecida. Trata-se de uma técnica mista sobre cartão, com aproximadamente 6cm x 8cm, com uma assinatura e aparentemente datado de 1948. Uma análise mais minuciosa revelou se tratar de uma pequena peça de autoria de Antonio Bandeira de 1948, ano em que o artista estava na França. O contato com a escola francesa da época, em constante ebulição de idéias e estilos, gerou em Bandeira uma necessidade de expressão com refinada liberdade de formas do ser humano e seus objetos mais próximos. A estilização das figuras tornou-se uma característica marcante das obras do primeiro período francês do artista, entre 1946 e 1950, apesar de que poucos conhecem as não muitas obras dessa fase.
Perambulando por catálogos antigos vemos alguns exemplares "irmãos" maiores da pequena peça reproduzida no introito:
As imagens acima foram retiradas dos catálogos de Soraia Cals/ Evandro Carneiro e da Exposição Desconfigurações, e são bom exemplo da temática e técnica utilizadas por Bandeira à época citada. Temos em mãos sem dúvida, uma pequena pérola da obra deste magnífico artista que foi Antonio Bandeira.
terça-feira, 12 de abril de 2016
Que tal achar um Caravaggio no sótão?
Caravaggio - Judith decapitando Holofernes
O quadro acima, que mostra a cena bíblica de Judith decapitando Holofernes, general de Nabucodonosor, foi recentemente confirmado por alguns especialistas como vindo das mãos do artista lombardo Caravaggio. Apesar de não ser uma unanimidade entre os especialistas, o quadro foi considerado autêntico pelos experts em Caravaggio Eric Turquin e Nicola Spinoza, este último ex-diretor do Museu de Nápoles e considerado um dos maiores especialistas na obra do artista. O mais interessante é que o quadro foi encontrado no sótão de uma casa no sudoeste da França, e a princípio foi atribuído a Louis Finson, um contemporâneo de Caravaggio. Talvez se este quadro tivesse sido encontrado aqui no Brasil ou em algum outro país das Américas, ele teria sido considerado uma cópia, falsificação ou outra coisa semelhante. Quando a redescoberta é na Europa, sempre a visão é diferente e falo isso com certa experiência. De qualquer forma, quem tem sótão com coisas antigas seria bom dar uma olhada...
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