sábado, 2 de abril de 2011

Painel de Di Cavalcanti sofre ato de vandalismo

O painel de Di Cavalcanti denominado " Imprensa", que pertencia ao antigo Hotel Jaraguá, no centro da cidade de São Paulo, foi cruelmente "ferido" por um vândalo, que aparentemente se denomina "Exorcista". Este infeliz deveria é então exorcizar a si próprio, pois só um demônio seria capaz de danificar uma obra importante de um dos maiores artistas brasileiros e da humanidade. E esse demônio tem nomes: falta de educação, falta de respeito, ignorância, desprezo pelo patrimônio público e privado entre outros. E o pior é que esta "besta" encarnada deve ter se divertido com isso, pondo seu apelido junto à assinatura de um dos mais célebres pintores que o mundo já produziu. Só podemos lamentar, quando não chorarmos de tristeza e desconsolo por termos um povo que desconhece totalmente a sua história. Isso talvez seja fruto de BBBs e outros achincalhes ao bom senso que existem disseminados pela mídia brasileira aliados a um total descaso das autoridades políticas brasileiras quanto ao nível de educação da nossa população.
A pichação no painel de Di Cavalcanti.

Este painel foi executado por Di Cavalcanti na década de 50 pelo processo de mosaico em pastilhas de vidro, o mesmo utilizado pelo artista em outros trabalhos da época, como a fachada do Teatro Cultura Artística de São Paulo, outro monumento maravilhoso, que esperamos seja sempre bem preservado. Abaixo, seguem duas imagens mais antigas do painel, assinatura e visão geral, antes do "atentado" . Percebemos que antes havia um espelho d'água, que de certa forma protegia o mosaico.
Esta é a assinatura do trabalho



Foto antiga do mural. Percebemos o espelho d'água que o protegia

crédito das imagens: Renato Wandeck e UOL/Folha


Que o ocorrido, além de trazer tristeza e lamentação, abra os olhos de nossos homens públicos, principalmente aos ligados à arte e cultura, para a necessidade de cuidado e preservação de verdadeiros tesouros que se encontram espalhados por muitas cidades do nosso país.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Leilão de Dezembro da Bolsa de Arte

No próximo dia 7 de Dezembro, ocorrerá em São Paulo, a primeira noite do último leilão do ano da Bolsa de Arte do Rio de Janeiro, contemplando a venda de obras de artistas acadêmicos, modernos e contemporâneos. Com uma seleção de muito bom gosto, serão oferecidas obras para todos os tipos de "apetite". Entre os artistas do sec.XIX, destaque para a obra de Castagneto "Barcos no Arsenal de Guerra do Império", um óleo s/ tela de 40x91cm, cuja estimativa está entre R$ 160.000 e R$ 220.000. Entre os modernos, saltam aos olhos as obras de Portinari, Guignard e Di Cavalcanti entre outras.
A estrela da noite é o tríptico "Sol sobre Paisagem" de Antonio Bandeira reproduzido abaixo, cuja estimativa está entre R$ 3,5 e 4,0 milhões. Se for vendido, e esperamos que seja, será com certeza um recorde para o artista.


fonte: Bolsa de Arte do Rio de Janeiro

O leilão traz boas oportunidades de compra. Uma delas é o pequeno óleo de Di Cavalcanti reproduzido abaixo, "Músicos", um óleo s/ tela de 24x33cm, que apesar de simples é bem característico e que pode se constituir ao futuro comprador, além do prazer da contemplação de uma obra de um dos maiores modernistas brasileiros, um excelente investimento.

fonte: Bolsa de Arte do Rio de Janeiro

Já no dia 9 de Dezembro, a Bolsa de Arte promove o leilão de Design, Fotografia e Arte Contemporânea, com excelentes oportunidades de compra para os amantes desses segmentos. Destaque para os móveis de Sergio Rodrigues e José Zanine Caldas, pinturas de Carlos Vergara, Antonio Dias e Waltercio Caldas, elementos escultóricos de Tunga e Luiz Paulo Baravelli e as fotografias de Otto Stupakoff. Vale a pena conferir.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Leilão de Arte Latinoamericana na Sotheby's

Ocorreu ontem a primeira noite do último leilão de Arte Latinoamericana da Sotheby's Nova York. Como de costume, foram poucas as obras de artistas brasileiros ofertadas. O destaque ficou para a obra "No. 232" de Sergio Camargo, reproduzida acima, que foi arrematada pela nada desprezível importância de US$ 482.500, já com as comissões incluídas

Outra obra de brasileiro vendida foi a tela acima de Di Cavalcanti, sem título, que pertencia ao ex-presidente da General Motors do Brasil, arrematada por US$ 104.500, esta sim, em minha opinião, uma "pechincha".

A estrela da noite acabou sendo a obra de autoria de Wifredo Lam "Les abalochas dansent pour Dhambala, diue de l'unité", que alcançou a soma de US$ 2.154.500, contribuindo para uma venda total no leilão de aproximadamente US$ 14,81 milhões. Nada mal.

Esperemos que arte brasileira conquiste mais espaço no mercado internacional. Qualidade para isso não falta.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

João Quaglia - Da Bahia para o mundo

João Garboggini Quaglia nasceu na Bahia em 1928, mais especificamente em Salvador, e como bom artista soteropolitano, vem desde o final da década de 40 realizando um obra extraordinária, principalmente no desenho, que teve como mestre Ado Malagoli, na pintura e na gravura, obtendo nesta última modalidade, na qual foi aluno de Mario Cravo, grande destaque e evidência em 1965, quando ilustrou o livro "A Morte" de Manuel Bandeira.
Quaglia possui uma qualidade de desenho ímpar e um trato da figura e das cores digna de mestre, daquele que conhece o ofício mas não se ufana por isso. Seus quadros aparecem constantemente em leilões mas não chega a ser dos artistas mais lembrados ou mesmo conhecidos. Sua postura é discreta como suas obras. É artista premiado e viajado. Aperfeiçoou sua pintura no Taller Boj em Madri, Espanha, e tanto conhece o assunto que se tornou professor. O auto-retrato abaixo mostra o refino da obra de Quaglia, tanto no desenho sutil como na paleta equilibrada e madura.




João Quaglia participou ao longo de sua vida de inúmeras exposições individuais e coletivas, no Brasil e no exterior, entre elas do Salão Nacional de Arte Moderna e da V Bienal de São Paulo de 1959. É também muralista, tendo executado os murais da Base Aérea de Salvador na Bahia, do edifício Suerdick na mesma cidade e da Embaixada do Brasil em Madri, na Espanha. Seus quadros já se encontram hoje em inúmeras coleções públicas e privadas, incluindo o Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, o Museu do Estado da Bahia, o Museu de Arte Moderna de Sergipe e o Museu da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
As telas de Quaglia tem como tema predominante a figura humana, retratada dentro de um expressionismo que adquire aspectos até dramáticos, onde homens, mulheres e crianças dotados de membros que demonstram uma liberdade nada convencional, conversam, trabalham e até se divertem, sempre com um ar de grande discrição. Mais raros são seus casarios, como o reproduzido acima, que também carregam sua marca de excelente desenho e paleta de muito bom gosto.
João Quaglia é sem dúvida um grande artista, um mestre de alto nível, cujo conjunto da obra merece ser cuidadosamente estudado e preservado, para que lhe seja conferido com o tempo, o seu devido valor e lugar na história da arte brasileira. Fica aqui a nossa mais sincera homenagem.

sábado, 19 de junho de 2010

Modigliani na Christie´s Paris - Um recorde

No último dia 14 de Junho, em Paris, o mundo da arte assistiu a mais um recorde quebrado para um artista. Foi para uma obra de Modigliani. A escultura com título " Tête", reproduzida acima, alcançou a astronômica cifra de 43,185 milhões de euros, após uma autêntica guerra de lances presenciais e por telefone, na sede da Christie's em Paris. Modigliani, além da importância dentro do contexto da arte moderna internacional do começo do sec.XX, não produziu muitas esculturas, o que tornou o objeto em questão alvo de muitos colecionadores sedentos. Quinze deles haviam se identificado para dar lances antes do pregão, que começou com uma estimativa de 4,0 milhões de euros. O rali levou mais de dez minutos e ao final, o comprador, que não quis se identificar, arrematou a bela e importante obra, conferindo a ela um novo recorde para Modigliani e para a própria Christie's Paris, que ao contrário de seus escritórios em Londres e Nova York, nunca havia feito uma venda de tal valor. Aparentemente, o mundo da arte mostra que está realmente necessitado de obras raras e boas, o que deve fazer com que muitos trabalhos de vários artistas comecem a ser "redescobertos" e colocados à venda. É esperar para ver.


segunda-feira, 26 de abril de 2010

Leilões da Bolsa de Arte - Abril 2010


Nos próximos dias 29 e 30 de Abril, ocorrerão os leilões da Bolsa de Arte do Rio de Janeiro, sendo o do dia 30 concentrado em arte contemporânea, fotografia e design.
Com uma bela seleção de obras, o leilão tem tudo para ser um sucesso, mesmo dentro do clima de incertezas que ainda se vive atualmente. Na noite do dia 29, destaque para obras de Portinari, Ianelli, Helio Oiticica, Djanira, Ivan Serpa e Volpi, cuja obra "Cinéticos Mosaicos", reproduzida acima, vai a pregão com estimativa entre R$ 500.000 e R$ 600.000.
Na noite do dia 30, o destaque fica por conta de Cildo Meirelles, cuja obra "This is a canvas, This is a box" de 1996, vai a leilão com estimativa entre R$300.000 e R$ 400.000.
Ambos os leilões serão realizados na Rua Oscar Freire 379, nos Jardins em São Paulo, ao martelo da experiente leiloeira Vivian Perez. Vale a pena conferir.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Portinari - O pintor, o muralista, o artista - "Portinari - The painter, the muralist, the artist

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English abstract
This post tells a little of Cândido Portinari, considered by many people the most important modern brazilian artist. As some of his paintings were stolen recently from museums, the real importance of the painter became the highlights of the midia worldwide, mainly due his work as a muralist, exemplified by the two big murals at the United Nations building in New York. On a short biography, something of his brilliant carrier is told till his death on 1962.
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Há pouco mais de dois anos, quando a obra acima "Lavrador de Café" de autoria de Cândido Portinari, foi roubada junto com outras peças do MASP em São Paulo, muitos se assustaram com o valor estimado da mesma, à época R$ 5 milhões. Me perguntavam se realmente valeria tudo aquilo e nas minhas respostas, dizia que em minha opinião, ainda estava aquém do que deveria valer. Não que a avaliação estivesse errada, longe disso, mas o artista, o qual considero o maior pintor do Brasil de todos os tempos, é que julgo ainda pouco reconhecido, principalmente se compararmos com outros expoentes da arte latinoamericana, como por exemplo os mexicanos Diego Rivera, Rufino Tamayo, o chileno Matta e o cubano Wifredo Lam. A exemplo de Rivera, Portinari também foi um excelente muralista, e a melhor amostra desse tipo de trabalho são os murais Guerra e Paz, que pertencem à ONU em Nova York. Como pintor foi sem dúvida genial.




Portinari nasceu em 30 de dezembro de 1903 em uma fazenda de café chamada Santa Rosa, em Brodowski, município da região de Ribeirão Preto no estado de São Paulo. Seus pais, Baptista e Dominga, eram imigrantes italianos da região do Vêneto, que vieram para o Brasil em busca de trabalho, e talvez, o legado de trabalho de seus pais, tenha sido a grande herança recebida por Portinari. Desde a infância e juventude, quando Portinari já auxiliava artistas viajantes italianos, que passavam pela região decorando igrejas das pequenas cidades do interior, já haviam relatos da dedicação e empenho com os quais se dedicava ao trabalho, sedento por aprender a arte e o ofício de pintor. Mudando depois para o Rio de Janeiro, frequentou o curso da Escola Nacional de Belas Artes, onde pode estudar com Lucílio de Albuquerque, Rodolpho Amoêdo e Baptista da Costa entre outros. Na década de 20, começa a participar de salões e exposições, tendo conquistado em 1928 o Prêmio de Viagem, que definitivamente transformou a vida de Portinari, em função do reconhecimento unânime da qualidade de seu trabalho. Viaja para a Europa em 1929, retornando ao Brasil em 1931. Aos poucos, vai realizando um trabalho pictórico cada vez mais voltado a retratar a realidade social que via e vivia. Desde os trabalhadores do campo e das fazendas de café aos retirantes miseráveis, como mostra o quadro reproduzido acima, que pertence ao acervo do MASP em São Paulo.




Realiza inúmeros murais, no Brasil e no exterior, onde seu estilo, caracterizado por um desenho preciso com traços fortes, aliado a uma paleta de extrema sobriedade, passa a ser inconfundível. Seus personagens, geralmente trabalhadores do povo, seja em representações históricas ou de temática cotidiana, passam a fazer parte da vida do brasileiro em painéis de repartições públicas e igrejas. Suas telas ganham as paredes de grandes e influentes colecionadores, inclusive no exterior, principalmente em função de suas inúmeras viagens. Militou na política filiado ao Partido Comunista mas não logrou sucesso. Seu destino seria mesmo denunciar as injustiças, com as quais não se conformava, com seus pincéis.


Cândido Portinari foi casado com Maria Portinari e teve um filho, João Cândido, que está à frente do Projeto Portinari há quase 30 anos, o qual cataloga a obra do artista, além de divulgá-la ao público em geral, num dos mais completos e sérios projetos de catalogação do mundo, tendo inclusive publicado o Catálogo Raisonné da obra do artista em cinco volumes ricamente ilustrados. Portinari faleceu em 1962, vítima de intoxicação pelas tintas que usava, principalmente o amarelo cádmio e branco chumbo, deixando um acervo com mais de 5.000 obras executadas, espalhadas pelo mundo a divulgar a gente, os costumes, a história e principalmente as cores do nosso imenso Brasil.